segunda-feira, setembro 10

Avaliação de desempenho: com quantos paus se faz uma canoa?

A primeira declaração que tenho a fazer é que não domino teoricamente a avaliação de professores em serviço. O facto de ser formadora e de ter sido delegada à profissionalização não me qualifica, uma vez que a avaliação de professores em serviço é distinta da avaliação de professores em formação. É distinta no seu objecto, nos procedimentos, nos critérios.
Eu gostaria de estar certa que o objectivo da avaliação é a melhoria do ensino, mas não estou. Ao que parece, a investigação que há nesta matéria é de molde a reforçar-me a dúvida; tenho para mim, da minha experiência pessoal, que o que me faz melhorar profissionalmente é experimentar, reflectir, avaliar, experimentar de novo.
A garantia de que uma avaliação de desempenho se faz com rigor e com justiça parece-me que estará na variedade e na qualidade dos instrumentos utilizados. Mas há que ter em conta que um bom ensino tem uma natureza muito aberta, uma vez que os contextos em que ensinamos variam e exigem de nós competências de diversas naturezas. Qualquer professor experiente sabe que funciona melhor com umas turmas que outras, gosta mais de trabalhar numas escolas que noutras, gosta mais de trabalhar com uma equipas que outras: é da natureza aberta e do grau de incerteza da nossa profissão; se assim é, o próprio modo como se fazem as turmas e se procede à distribuição do serviço é, por si só, determinante.Sabemos que toda a "engenharia" subjacente à distribuição do serviço e à formação de turmas é a pedra de toque de muitos dos elementos de funcionamento de uma Escola.
Com quantos paus se faz uma canoa? No contexto presente, quais são as componentes de um bom desempenho profissional? Há quem diga que são quase trinta, ou mesmo sessenta, há quem diga que se um professor tem três ou quatro competências básicas domina adequadamente a sua profissão.
Será uma boa estratégia, e quando digo boa, refiro-me a resultados justos e relevantes para o nosso desenvolvimento profissional tentar avaliar todos os componentes possíveis, entre deveres e competências num dado momento temporal, para compreender a qualidade de um professor? O incontornável Scriven afirma que uma grande variedade de instrumentos ajuda a entender o que é um bom ensino, mas não implica uma boa avaliação.

2 comentários:

Miguel Sousa disse...

Li os vossos textos com a atenção de quem anda a correr de um lado para outro, mas confesso que tenho uma ideia de avaliação. Primeiro é preciso saber para que é que ela serve. Se é para melhorar a qualidade do ensino é insuficiente para a progressão do professor na sua carreira visto este fazer muito mais do que leccionar. Por outro lado se avaliação for essa então só deve ser realizada por colegas da mesma área de leccionação (como gajo da ginástica não me atreveria a avaliar um doutor da filosofia). Segundo é preciso, efectivamente dar mérito à subida na carreira, aí proponho uma avaliação que corresponde um trabalho síntese do período que exerceu no escalão e que o defenda perante um júri numa perspectiva de futuro, ou seja, isto implica que a subida na carreira dê outras funções ao professor (também obriga a uma espécie de divisão taxonómica das função ao longo da carreira). Terceiro e final se o problema é contribuir para o sucesso escolar convem antes de tudo definir claramente sucesso escolar,. Só assim saberemos o que se pode efectivamente fazer para contribuir com êxito

Paideia disse...

Caro Miguel, do que eu tenho vindo a investigar, não é pacífico que a avaliação melhore a qualidade do ensino.