sexta-feira, setembro 14

Relativamente ao tema, eu continuo a só ter perguntas:
1)Em que medida é que a existência de um código deontológico poderia contribuir para a descrição do papel do professor e clarificar os critérios da avaliação de desempenho?
2)Justifica-se a distinção entre a avaliação formativa (virada para os processos de melhoria) e avaliação sumativa, virada para os resultados?
3) Os instrumentos e os critérios seriam os mesmos?
4) Em que modelo se baseia a avaliação de desempenho agora em cima da mesa?
5)O modelo foi testado? Porque se não foi,como podem os avaliadores justificar e fundamentar a origem da sua avaliação?
5) Qual é o peso de cada um dos componentes na avaliação de desempenho?

2 comentários:

JMA disse...

Pistas de respostas:
i) evidente que um código deontológico seria um referente fundamental e até certo ponto os direitos e deveres estão no ECD (embora seja um documento imposto à classe....)
ii) julgo que se justifica uma articulação entre os dois tipos de avaliação; o decretado insiste no segundo tipo; o que é que os professores e os contextos de trabalho que configuram vão preferir e valorizar? O primeiro e ou o segundo?
iii) os instrumentos e critérios tendem a ser diferentes ajustados ao público/alunos, aos projectos, aos pontos de partida...
iv)o modelo que está em cima da mesa parte do pressuposto da desconfiança (nas escolas e professores), do laxismo mais ou menos generalizado, do pouco trabalho, do grande absentismo, etc. Sendo este o diagnóstico e as representação, o modelo decretado alimenta-se de uma perspectiva teórica taylorista e burocrática... podendo aproximar-se (talvez... e isto é mera hipótese) do que está em vigor no Chile (sem evidências empíricas de resultados positivos) e de alguns Estados dos USA
v) óbvio que não foi testado. A origem da avaliação tem uam legitimação fundamentalmente juridicista e tecnocrática
vi) o peso ainda vai ser decidido por despacho superior....

Mas o jogo (na sua estrutura natricial) vai depender muito da implicação dos actores e sobretudo dos que detêm o poder formal de avaliar.... (é pelo menos a minha hipótese central....)

Paula Cristina disse...

1. um código deontológico pode clarificar noções de profissionalismo e identidade profissional aos quais a sua classe se confina na observação do princípio da melhoria dos serviços prestados e consequentemente na renovação do seu status.
2. justifica-se uma avaliação formativa dos professores no sentido de colmatar pontos fracos e de promover uma aprendizagem permanente ligada ao desenvolvimento profissional do professor que é entendido como uma noção mais abrangente do que a formação contínua, pois inclui um vasto leque de actividades que afectam o processo de aprender a ensinar e o crescimento intelectual e profissional dos professores.
3. os instrumentos são um leque que incluem: a observação de aulas; as entrevistas; os portfólios ou dossier do desenvolvimento pessoal; a avaliação pelos pares; a avaliação pelos alunos; o sucesso dos alunos; a auto-avaliação; testes de competência (mais usados na certificação e na contratação); fontes suplementares de informação como o empenho e o comprometimento profissional ao nível extra-aula. O sucesso dos métodos usados depende dos propósitos pelos quais uma determinada técnica é usada em detrimento de outra.
4. a avaliação em cima da mesa basear-se-á nos diversos ângulos que investigadores e países colocam como modelos e standards para a avaliação de professores e que se revestem de enorme importância, porquanto no nosso país, o novo modelo de avaliação, estando em fase de preparação legislação reguladora dos procedimentos, trará certamente influências e fundamentos teórico-epistemológicos que conferem maior cientificidade a todo o processo e que clarificam as competências esperadas do professor e os pesos a atribuir.

Leiam-se os standards da The Joint Committee on Standards for Educational Evaluation (formada em 1975 com o objectivo de melhorar a qualidade de avaliação) e que propõe as seguintes expectativas para o professor:
“Defined Expectations
1. Knowledge of the content area
2. Instructional organization
3. Classroom arrangement
4. Instructional strategy
5. Interaction with students, parents, peers
6. Assessment and evaluation procedures
7. Participation in professional development activities
8. Research record (publications, presentations, grants)
9. Service to the profession”

Veja-se ainda uma referência importantíssima:
- Darling-Hammond., Linda; Wise, Arthur E. & Pease, Sara R. (1986). “Teacher Evaluation in the Organizational Context: a review of the literature” in House, Ernest R. (Ed.) New Directions in Educational Evaluation. London: The Falmer Press, pp. 201-253.
e:
- Millman, Jason (Ed.). (1984). Handbook of Teacher Evaluation. 4ª ed. California: National Council on Measurement in Education, SAGE Publications.

E finalmente um referencial muito relevante – o das 10 competências do professor para o século XXI, em que o ofício do professor é retomado por Perrenoud, investigador da Universidade de Genebra, que propõe um inventário de competências que contribui para redelinear a actividade docente. O investigador adoptou o referencial das dez competências adoptadas por Genebra em 1996 para a formação contínua de professores naquele país, cuja elaboração contara com a participação das autoridades escolares, associações, formadores e investigadores, com o propósito de orientar aquela formação tornando-a coerente com as renovações em curso no sistema de ensino, e assim fica a leitura de:
- Perrenoud, Philippe (1999). Dix nouvelles compétences pour enseigner. Paris: ESF Editeur [tradução: Dez Novas Competências para Ensinar. Porto Alegre: Artmed Editora.]
- Perrenoud, Philippe; Gather Thurler, Monica; Macedo, Lino; Machado, Nílson José; Allessandrini, Cristina Dias (2002). As Competências para ensinar no século XXI. A Formação de Professores e o Desafio da Avaliação. Porto Alegre: Artmed Editora.

Porque urge mudar de forma fundamentada.

Paula Cristina