terça-feira, dezembro 30

PRÉMIO NACIONAL DE POESIA


Está aberto o 12º Prémio Nacional de Poesia
SEBASTIÃO DA GAMA 2009

O regulamento pode ser consultado em www.mun-setubal.pt
ou em http://pnpsebastiaodagama.googlepages.com

PROMOTORES: Juntas de Freguesia de S. Lourenço e de S. Simão
- AZEITÃO -

APOIO: Câmara Municipal de Setúbal
Associação Cultural Sebastião da Gama

domingo, dezembro 28

PARECER DO PROVEDOR


De colegas da minha escola, a EB 2 e 3 de Azeitão, recebi o seguinte email, do qual transcrevo parte:


Caros Colegas, é com o maior prazer que vos damos a conhecer que o Provedor de Justiça considera que é ilegal, não um problema técnico, a vinculação entre os resultados escolares dos alunos e a avaliação de desempenho dos professores, assim como questiona a legalidade do funcionamento das comissões de coordenação da avaliação do desempenho.
Oportunamente, enviaremos uma cópia do parecer do Senhor Provedor, que recepcionámos ontem, à Senhora Presidente do Conselho Geral Transitório e, simultaneamente, solicitaremos, mais uma vez, o adiamento da entrega dos objectivos individuais, até cabal esclarecimento das questões levantadas. Votos sinceros de Boas Festas.

...

Para os interessados trancrevemos os pontos 4 e 5 do parecer:

« 4. (...) De todo o modo, o instrumento jurídico do impedimento tem por fundamento o princípio da prossecução do interesse público, na sua dimensão garantística: o seu campo de aplicação não se dirige aos casos em que se encontra demonstrado o desrespeito por tal princípio, mas sim às situações em que se verifica o risco de vir a ser prosseguido fim ou interesse alheio ao aplicável ao caso. E, por outro lado, o que no domínio do princípio da transparência se exige aos órgãos administrativos não é apenas a prática de actos imparciais, mas também que actuem por forma a darem de si mesmos uma imagem de objectividade, isenção e equidistância dos interesses em presença, de modo a projectar para o exterior um sentimento de confiança.
5. Comunga desta natureza a segunda questão que se afigura dever merecer cuidada ponderação. Está em causa o funcionamento da comissão de coordenação da avaliação do desempenho, órgão central no sistema de avaliação, e o impedimento dos seus membros na apreciação das avaliações de outros docentes, que com eles concorrem às mesmas quotas das classificações mais elevadas.»

QUE 2009 NOS TRAGA MAIS JUSTIÇA SOCIAL

quarta-feira, dezembro 24

Boas Festas!

Boas Festas para todos os confrades e leitores.
video

:)

Um Feliz Natal e um Doce 2009 para todos.


we wish you a merry christmas

sexta-feira, dezembro 19

A Noite de Natal

A construção de cenários sobre A Noite de Natal, de Sophia de Mello Breyner, foi o contributo da Teresa aka Mei para o Second Life. Poderão ver mais imagens na Península. A história da Joana e do Manuel e a história do mundo pode, assim, ser lida em ambiente virtual, o que não dispensa uma leitura completa da obra.


quinta-feira, dezembro 4

Desculpem mas assim não brinco!

Provavelmente, as palavras que vou escrever vão causar-me inimizades, mas tenho aqui algo entalado na garganta e se não o disser, rebento. Além disso, estou avançada por demais na idade para ter medo de dizer o que penso. E o que penso é que professores e Professores, assim, estão a perder a face. Assim, como?
Olhem, assim, é, por exemplo, o "folclore" de muitos nas manifestações. Nós somos PROFESSORES! Professores têm que ter um porte, uma postura, que os dignifique. Professores não manifestam a sua indignação com versinhos de pé quebrado!
Por outro lado, a muitos falta apresentação! Sim , apresentação. Somos PROFESSORES! Não podemos falar de qualquer maneira! Não devemos apresentar-nos de qualquer maneira!
Concordo a 100% com a recusa deste modelo de avaliação. A 200%, até. Mas NÃO CONCORDO que se espere e se lute para ficar tudo na mesma. Os professores não são todos iguais e cada um de nós o sabe. A curva de Gauss não engana e a nossa própria experiência nos diz de quantos Professores nos lembramos. Cada um de nós sabe avaliar-se? Eu teria tido vergonha de acabar a minha carreira com a mesma classificação de outros colegas, porque sei o que fazia e o que eles faziam. Mesmo assim, reconheço que havia, na minha Escola, Professores, no meu grupo, melhores do que eu, pelo menos uma.
Sabem o que vos digo, Colegas? Lutemos por uma avaliação justa, para nós e para a nossa função - a mais digna, a mais alta: preparar o futuro. Mas deixemos que o nosso trabalho fale por si e não pensemos que poderemos ser todos generais. Aviso que não saí como general... Talvez tenente-coronel...
Talvez as quotas sejam curtas, sim, mas sejamos honestos: há, de facto, maus professores, medíocres, normais, bons, muito bons e excelentes. Como em todas as profissões, não nos iludamos. Portanto, apesar da força dos números da greve, creio que a Ministra, caladinha como está, está a investir na sua posição, enquanto nós, pedindo uma coisa que não estava, até agora, explicitamente a ser tratada, vamos perdendo o nosso capital de simpatia por parte do resto da sociedade.
Estou a escrever aqui porque um dia para tal fui convidada e porque o meu blogue tem estado desactivado. Mas vou transcrever este texto para lá e quem quiser insultar-me pode ir lá fazê-lo, porque esta casa não é minha. Agradeço a atenção. Estou em "piruetas de avó"

Mudando de assunto

domingo, novembro 16

Há maneira de sair do Impasse?

O ME dizia que não mudava uma vírgula. Agora já diz que pode simplificar, mas mantendo a mesma matriz. A maioria dos professores rejeita a imposição e reclama a suspensão do processo (nomeadamente através da não entrega dos OIs).
Há alguma forma de sair do braço de ferro, de sair do impasse? Tópico que lanço para a discussão.

quinta-feira, novembro 6

Entrevista

Do Terrear à Península foi um clique. Assim me descobriu Andreia Brito da Antena 1.
Achou curioso eu ter como profissão futura ex-professora!
Queria falar sobre os nossos desânimos. Arranjei mais uma companheira e lá nos encontrámos com ela. Uma simpatia. Uma gravação informal sobre uma mesa de café.
À mesma hora passava a entrevista com José Matias Alves. As nossas palavras sairão amanhã, sexta, entre as 16 e as 20 horas. Nada de mais. Desabafos sentidos por uma carreira que escolhemos e que nos faz querer antecipar a reforma quando ainda tínhamos muito para dar. Que o diga a Conceição, que, já depois de ter pedido a dita cuja, nas suas arrumações de papelada, ainda guarda alguma coisa, sonhando que lhe vai fazer falta.
Quem me dera já estar contigo, amiga!

domingo, novembro 2

Do básico ao superior

Li (durante) esta semana um excelente artigo de Teresa Carla Oliveira e Stuart Holland: "Retórica e realidades nas reformas do Ensino Superior e no Processo e Bolonha", na Revista do SNESup, e achei interessante deixar aqui uma das respectivas conclusões.

Depois de, citando Tinbergen e Pinder, explicarem a diferença entre integração positiva e negativa, os autores fazem notar que o Processo de Bolonha está a ser levado a cabo com uma estratégia de integração negativa, p. ex. através da redução de barreiras à mobilidade. Fazendo apelo aos objectivos de coesão social do Tratado de Roma, os autores alertam para o risco de o Processo de Bolonha promover uma mobilidade desigual em termos de classe social e económica.
"Se pretendermos obter mais valor acrescentado através da integração positiva no ensino superior europeu, uma das medidas melhores será um compromisso conjunto no sentido de estabelecer limites ao número de alunos por turma no ensino primário, secundário e superior, e a sua redução efectiva progressiva como um direito social e de cidadania em toda a Comunidade Europeia."
Na Finlândia, aparentemente, o número médio de alunos por turma é de dez: numa escola típica 30 professores estão encarregados de 300 alunos.
Considerar "as turmas com um reduzido número de alunos como uma meta educativa [...] seria um exemplo verdadeiramente útil de valor acrescentado derivado de uma política educativa europeia não limitada ao ensino superior, mas que integrasse elevada qualidade desde os níveis primário e secundário até ao superior."
E eu não podia concordar mais!

sexta-feira, outubro 31

:)

É muito trivial... mas não resisto ;)

Três lisboetas e um tripeiro...
Diz o 1º lisboeta:
- Eu tenho muito dinheiro. Vou comprar o BPI!
Diz o 2º lisboeta:
- Eu sou ainda mais rico... vou comprar a Fiat Automóveis!
Diz o 3º lisboeta:
- Eu sou um magnata. Vou comprar todos os supermercados Continente!
O tripeiro dá uma baforada no cigarro, bebe um gole... faz uma pausa... e diz:
- Num Bendo!...

quinta-feira, outubro 23

Desafio Virtual

Pego no desafio que a Teresa da Teia deixou no comentário do post anterior... Óptima ideia! Nada melhor para arejar do que uma voltinhas pelo SL!
A minha casa está à disposição dos confrades. Há bebidas, comida e música, ou apenas o ruído do mar e das gaivotas.
Basta criarem o vosso avatar e deixem o resto por nossa conta. Nós ensinamos o que for preciso!

Entretanto, vou preparando o cenário para a "Noite de Natal" da Sophia. Poderão interagir com esta história belíssima e mágica, que deverá estar pronta dentro de 15 dias. E lanço outro desafio: quem tiver alunos com mais de 18 anos pode combinar comigo uma sessão em directo.
Então, pessoal, vamos a isso?


Teresa aka Mei

terça-feira, outubro 21

Respirar

Porque precisava de respirar num espaço colectivo e amigo, vim até aqui. Para nada dizer. Só para respirar.

domingo, outubro 19

Os dois remos

Um viajante caminhava pelas margens de um grande lago de águas cristalinas e imaginava uma forma de chegar até o outro lado, onde era seu destino.
Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte. A voz de um homem de cabelos brancos quebrou o silêncio momentâneo, oferecendo-se para transportá-lo. Era um barqueiro.
O pequeno barco envelhecido, no qual a travessia seria realizada, era provido de dois remos de madeira de carvalho. O viajante olhou detidamente e percebeu o que pareciam ser letras em cada remo. Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, observou que eram mesmo duas palavras. Num dos remos estava entalhada a palavra acreditar e no outro agir.
Não podendo conter a curiosidade, perguntou a razão daqueles nomes originais dados aos remos. O barqueiro pegou o remo, no qual estava escrito acreditar, e remou com toda força. O barco, então, começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava. Em seguida, pegou o remo em que estava escrito agir e remou com todo vigor. Novamente o barco girou em sentido oposto, sem ir adiante.
Finalmente, o velho barqueiro, segurando os dois remos, movimentou-os ao mesmo tempo e o barco, impulsionado por ambos os lados, navegou através das águas do lago, chegando calmamente à outra margem.
Então o barqueiro disse ao viajante:
- Para que o barco navegue seguro e alcance a meta pretendida, é preciso que utilizemos os dois remos ao mesmo tempo e com a mesma intensidade.

segunda-feira, outubro 13

Pontos de vista...

(Uma espécie de clone da teia de hoje... apenas para lembrar a importância de encontrarmos o denominador comum que possamos assumir em conjunto, apesar das diferenças dos pontos de vista... :)

sábado, outubro 11

As boas intenções e a crueldade das práticas

O JMA é um professor que me habituei a respeitar pela coerência das suas posições e pela generosidade das causas que defende. No seu blogue tem vindo a defender, nos últimos meses, uma posição de “aperfeiçoamento” do modelo de avaliação do desempenho docente (é este o nome de baptismo que o ministério da educação deu à classificação de serviço, vulgo notação de mérito, destinada a seriar professores e não a avaliar a qualidade do seu trabalho).

Por mais de uma vez critiquei esta atitude, a qual é também defendida por muitas almas generosas (geralmente benevolentes com o governo Pinto de Sousa), como é o caso da professora Carmo Cruz, que se assina Avó Pirueta.

De todas as vezes que exprimi a minha discordância em relação a estes colegas senti algum constrangimento, porque o respeito pelo seu trajecto profissional e pela generosidade com que partilham o seu saber e a sua experiência é enorme.

É ponderando tudo isto que resolvi hoje fazer referência à entrada do Matias Alves no seu blogue, sob o título A Blindagem do sistema de avaliação.

A leitura deste post, considerando as divergências que tenho assumido em relação à participação do Matias Alves no processo da classificação dos professores, leva-me a concluir que até para quem acredita na bondade das políticas educativas de MLR começa a ser difícil engolir tanto Sapo Centralista.

E digo-o na convicção de que o Matias Alves tem consciência de que a luta pela regulação das escolas é um combate decisivo nos próximos meses/anos. Nós sabemos que qualquer alteração significativa do sistema educativo, e da escola pública, passa por processos de dinamização da regulação local e socio-comunitária da educação. É por isso que o tom de lamento me parece ser o mais marcante, quando JMA escolhe um termo com BLINDAGEM para caracterizar a atitude que a DGRHE adoptou face ao controle da aplicação do dr 2/2008.

A dúvida que me fica é se o Matias Alves e muitos dos defensores da “avaliação 2/2008″ (sem a contextualização da prática governamental) acham que a culpa do falhanço fica no director da DGRHE, ou se também acham, tal como eu, que nenhum director geral decide políticas sem o aval dos secretários de Estado e dos ministros que os nomeiam e podem exonerar.

segunda-feira, outubro 6

Tecnologia, posse e bem público educativo

Este governo afirma-se de esquerda e defensor da escola pública.

A criação da escola pública teve por base uma intencionalidade, que era a de proporcionar a todas as crianças um bem – o bem educativo – na medida em que isso se poderia traduzir em ganhos, não só para o indivíduo, mas também para toda a sociedade. Nesse sentido o Estado-Nação tomou para si a responsabilidade de educar, retirando as crianças às famílias (em particular as das classes populares), para quem um filho constituía desde cedo uma importante fonte de rendimento. Desse ponto de vista podemos considerar que a escola pública, sendo uma emergência do primado da comunidade e da sociedade sobre o individual e o particular, deve privilegiar a partilha de recursos, a cooperação e a solidariedade.

Este governo, que se afirma de esquerda e defensor da escola pública, quer à força ser moderno (direi mesmo, modernaço). Como a formação humanística dos modernos que mandam neste governo é notoriamente deficitária, o deslumbramento com a tecnologia impõe aos responsáveis governamentais a ideia de que a posse, a exibição e a ostentação dos bens individuais é o que há de mais moderno e mais avançado nas sociedades humanas.

Na escola pública, a tecnologia que é usada para a transmissão do bem público educativo inclui, entre muitas outras coisas, todos os materiais e equipamentos que professores e alunos usam nas aulas: quadro (de giz, de canetas ou interactivo), acetatos, retro-projectores, aparelhos de reprodução áudio e vídeo, maquinaria e ferramenta diversa, etc, etc, etc. Ah, já me esquecia, inclui também as novas tecnologias, vulgo computadores, impressoras, scanners, software didáctico, lúdico, mas também de produção/edição de texto, imagem e muito mais.

Desde sempre esses materiais foram usados por todos os alunos que frequentam a escola pública, sendo a sua posse colectiva, uma vez que se trata de bens comuns a toda a comunidade escolar.

Desde sempre? Até à chegada deste governo, que se diz de esquerda e defensor do bem público educativo que é a escola pública! Porque, com o seu deslumbramento pelas novas tecnologias, que segue de perto a sua deriva neo-liberal, o governo resolveu privatizar uma parte da tecnologia que a escola pública utiliza para transmitir o bem público educativo e decidiu, primeiro com o e-escola e agora com o e-escolinha (vulgo magalhães), dar a cada um o que é de todos, gastando com tal medida muito mais recursos do que os que seriam necessários para equipar todas as escolas com um computador por aluno/sala. Para ser coerente com este princípio o governo devia também oferecer a cada criança a carteira em que se senta, bem como todos os materiais e equipamentos que utiliza, permitindo-lhe que ao fim do dia os levasse para casa, tal como fazem com o magalhães.

domingo, outubro 5

Dia Mundial do Professor

Logo de manhã sentei-me à secretária, liguei o computador, abri a Internet e procurei, entre aspas, o que poderia haver sob a designação de "Ser Professor". Encontrei 247 000 sites em que aparecia a expressão. Fiquei a ler, a ler, até que chegou a hora de preparar o almoço. Porque os Professores contam, sim, mas também comem...
Depois, estive a ler os jornais e a ver o que se dizia sobre o assunto do dia. Um pouco incomodada. Porque as mágoas daqueles que aprecio e admiro me doem também. Bem, mas de tudo o que li, o que me encheu a alma foram estas palavras de Rubem Alves que fui roubar ao Terrear:
"Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma, continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais..."
Perdoem-me por continuar assim, crente na missão que escolhi para ser a minha vida e por ainda acreditar em Utopias na minha idade. Não quero falar hoje em avaliações, em ministros, em papéis, em carreiras, nada disso.
Quero lembrar a alegria e o entusiasmo com que começo sempre uma aula, seja ela do que for. Quero saborear a lembrança de ver o rosto de um aluno com menos aptidões para a nossa disciplina a iluminar-se quando entende, quando integra em si um novo conhecimento.
Quero pensar na Emilia Melhorado, que se lembrou de mim a semana passada e andou à procura do meu endereço, ela que está na sua terra em Vila Nova de Foz Coa, para me pedir um conselho.
Quero, hoje, mais do que nunca, orgulhar-me da certeza de que, como disse o João Bernardo, alguém pode não ter feito algo de errado porque se lembrou de mim.
Parece um auto-elogio, não é verdade? E elogio em boca própria é vitupério, diz o ditado. Mas quando digo isto faço-o com a certeza de que dezenas, centenas, milhares de Professores o podem fazer também.
Fui Professora durante mais de 40 anos e apenas duas vezes dois alunos foram um pouco indelicados, com uma diferença de 10 anos entre as duas actuações. Mal lhes recordo o nome. Mas vejo à minha frente todos os rostos, todas as relações que se estabeleceram entre nós, todas as delicadezas, o carinho, as pequenas coisas cúmplices que nos uniam.
E neste dia em que os Alunos que passaram pela nossa vida talvez nos recordem com saudade, quero prestar a minha homenagem aos Professores que mais me marcaram:
- D. Magda, na 4ª classe, pelos desafios que nos lançava;
- Dra. Elsa, de Francês, pela delicadeza, aliada ao conhecimento, com que nos educava, naqueles tempos difíceis e lugares longínquos;
- Dra. Amélia, de Matemática, por nos mostrar para que é que ela servia, aquela Matemática de que tantas tinham medo;
- Dra. Hermínia Roberts, de Português, (e Reitora) por me ter entusiasmado com os Lusíadas;
- Dr. Barata, a quem carinhosamente chamávamos o Dr. Baratinha, baixinho, de Filosofia, que nos ensinava a raciocinar e a pensar pela nossa cabeça.
Vejam, de entre a multiplicidade de Professores que tive, quantos me ficaram no coração e na alma! E enquanto eu viver, estes Professores continuarão vivos.

Pois se é verdade que
"Ensinar não tem que ser mesmo um sacerdócio
Mas é mister de tão grande valor
Que, depois do Amor e do Ócio,
Não há nada maior
(Nem melhor)
Do que ser Professor"...

Sei que às vezes é duro, é difícil, mas está na nossa mão emendar o erro, trazer à tona a Verdade e a Razão. E não se zanguem comigo: vinte vidas tivesse eu, e para a vontade que tenho de aprender e ensinar, não seriam bastantes!
Para todos os Colegas, os meus desejos e votos sinceros de que possam, em breve, sentir o que sinto. Felicidades.

Parabéns

Ontem, foi um dia especial para a Teresa M e para a Carmo [aproveito para parabenizar a Carmo].
Hoje é dia de festa para o Henrique Santos, no dia do professor. É uma feliz coincidência, Henrique :)

sábado, outubro 4

Parabéns

A aniversariante anda numa roda viva, entretida com a sua Teia.
Hoje é dia de festa, Teresa! :)

quarta-feira, outubro 1

A Avaliação é um Problema? É, sim. Portanto...

Mesmo sem me ter sido pedida, aqui vai a citação de Karl Popper sobre a posição que devemos tomar perante os problemas:
"Penso que só há um caminho para a ciência ou para a filosofia: encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonar-se por ele; casar e viver feliz com ele até que a morte vos separe - a não ser que encontrem outro problema ainda mais fascinante, ou, evidentemente a não ser que obtenham uma solução. Mas, mesmo que obtenham uma solução, poderão então descobrir, para vosso deleite, a existência de toda uma família de problemas-filhos, encantadores ainda que talvez difíceis, para cujo bem-estar poderão trabalhar, com um sentido, até ao fim vossos dias".
Karl Popper

Sentimento de insegurança e o silêncio conivente.

É consensual a ideia da existência de um ambiente geral nas escolas que se caracteriza por uma receptividade difícil ao novo Modelo de Avaliação de Professores. Aliás, este sentimento é perceptível através de testemunhos de colegas oriundos de todos os pontos do país recolhidos em vários fóruns de discussão, nomeadamente, na blogosfera docente. É o sentimento de descrédito na Avaliação de Professores e no seu contributo para o Desenvolvimento Profissional, o que revela a existência de uma visão pessimista de que é impossível “fazer bem” aquilo que a lei manda fazer. Este clima é agravado pelo ambiente de conflitualidade mais ou menos latente entre intervenientes, que poderá ser justificado pela falta de confiança mútua entre professores face aos colegas titulares. Por outro lado, existem problemas que resultam da desinformação suscitada por diferentes interpretações da lei, da entropia nas escolas gerada pela incontinência legislativa deste governo e pelas limitações objectivas do sistema de avaliação imposto.

A meu ver, o sentimento de desconfiança surge agregado a um sentimento de insegurança, que pode ser traduzido pela seguinte questão:
Será que a nossa formação inicial, gerada pela instituição do ensino superior que nos acolheu e cuja marca de profissionalidade é indelével, evoca aquele professor de formato único que surge plasmado nas grelhas do ME?

E se não me encaixo nesse perfil funcional, o que têm a dizer as escolas de formação de professores? Será que o aperto financeiro em que vivem pode justificar o silêncio conivente com as políticas deste governo?

segunda-feira, setembro 29

Uma opiniãoo ainda mais personalizada sobre a Avaliação

Sei que talvez não seja muito sensato ou produtivo mas gostaria de afirmar a minha posição ainda de forma mais pessoal:
Primeiro: estamos todos de acordo em que a avaliação que existia não era nada, era menos que nada, permitia a consagração da fachada, da funcionalização. Quantos professores eram avaliados com o raríssimo "Não Satisfaz"? E quantos documentos apresentados nos relatórios eram consabidamente falsos? Quantos relatórios eram copiados a partir de outros?
É claro que concordo que há mais Professores que professores, mas o prejuízo causado por um só professor pode ofuscar, diminuir, impedir, sabotar, o trabalho de 10 Professores.Sou pela Avaliação, sim! Eu própria, ao atingir o 10º escalão, pedi, como era meu direito, para ser avaliada externamente à minha Escola. Porque não queria sair da Escola com o mesmo mísero "Satisfaz" de pelo menos três colegas que se aposentariam no mesmo ano que eu.
Podem pensar que isto é orgulho, soberba, mesquinhice, demasiada auto-estima. Pois eu pensei que estava a fazer justiça ao meu trabalho como Professora!
O que penso ainda é que a Avaliação, tal como a vejo, deve ser formativa, isto é, a sua principal finalidade deve ser melhorar o desempenho mais do que "catalogar" o docente como mau ou bom. Essa ideia criámo-la nós, Professores maiúsculos e minúsculos, quando usamos os testes para "ver" quem aprendeu e quem não aprendeu. Na minha óptica, os testes eram primeiramente para eu aferir o meu próprio trabalho e só interessavam se me permitiam ver o que tinha falhado com alguns e porquê. Logo, com os docentes a Avaliação tem de ter esse objectivo. Quem a usar para sobressair (como avaliador), para humilhar, para se vingar, para se apropriar de técnicas e estratégias dos avaliados não merece ser avaliador e deveria ser avaliado negativamente como tal.
Estamos todos no mesmo barco: queremos uma Educação melhor, uma Escola mais activa, mais atractiva, uma Relação interpessoal mais humana. Se a Avaliação não permitir tal, se for realizada com papel e lápis, tesoura e esquadro, fita métrica e relógio, sem alma, sem coração, sem solidariedade, sem justiça, então nem sequer vale a pena começar.

sábado, setembro 27

Eu avalio, tu avalias, ele avalia...

Tinha uma enorme vontade de participar neste encontro de ideias sobre a Avaliação dos Professores mas sentia que pouca coisa de novo podia trazer à colação e por isso me tenho mantido em silêncio. Depois, comecei a lembrar-me de como sempre me bati pessoalmente ou em colaboração com Colegas por uma Avaliação dos Professores justa e, na quinta-feira passada, desloquei-me a uma Escola privada para um encontro com Alunos do 6º ano e tudo me voltou à mente.
Primeiro, e porque neste espaço pouca gente me conhece, começo por informar que o meu uso de maiúsculas é sempre intencional e significativo. Bem, o ambiente que encontrei nesta Escola que visitei fez-me um imenso bem: reconciliou-me com a Escola privada. Tudo o que pude apreciar me permite afirmar sem dúvidas que, ali, avaliar os Professores não vai ser difícil, sejam quais forem os critérios a ter em conta, incluindo, provavelmente, até os Pais e Encarregados de Educação. Para dar mais uma achega, a Escola tem mais de 1200 alunos, o que é obra.
Sei que estou a sonhar (mas não foi a sonhar que consegui tudo o que quis na Vida?), porque a realidade é profundamente diferenciada e não se deveria avaliar actores/acções diferentes com as mesmas medidas. Mas é preciso avaliar e confio que tal será possível a partir precisamente daqueles que, com razão, mais se preocupam com a Avaliação.
Por muito que nos custe, sabemos de antemão que são e serão os Professores mais dedicados, os Professores por vocação, que vão sentir mais na pele o que este sistema traz. Porque são esses os que se preocupam, os que se avaliam a si mesmos todos os dias na privacidade da sua consciência, após cada aula, após cada experiência, após cada teste. E, humanos que são, não podem nem querem ser avaliados como os professores "funcionalizados" que, em maior ou menor número, existem em todas as Escolas. Ser Professor é demasiadamente importante para ser trabalho de funcionários e, portanto, se não agimos como funcionários não podemos ser avaliados com os mesmos critérios. O Professor em cujas turmas alguns alunos não têm sucesso são os mesmos dos alunos que têm sucesso. Logo, o sucesso das turmas não pode ser critério de diferenciação. Mas a atitude do Professor perante o sucesso e o insucesso, por muito difícil que seja de Avaliação, essa, sim, merece sê-lo.
O Professor que reclama que não pode ser bom docente se tiver que permanecer 35 horas por semana na Escola, além das horas para as reuniões, está a lutar pela dignificação da sua acção. O Professor que "chora" o tempo que perde a preencher papéis criados por burocratas, tem todo o meu apoio e compreensão.
Mas se esse mesmo docente nunca tiver tempo para ir até ao recreio, se não for capaz de sacrificar um intervalo para ouvir um aluno ou uma turma inteira, aquele que não "vê" os Alunos quando passa por eles nos corredores e só é docente na sala de aula, esse não é Professor e pode ser facilmente avaliado: sem desprimor nem ofensa, como um simples burocrata.
Ora, o que eu temo é precisamente que a Avaliação, como estava prevista (há tanta mudança e medida avulsa!) "empurre" os Professores para a "funcionalização"! Mas, por outro lado, tenho a Certeza, mais do que a Esperança, de que em todas as Escolas há Professores que vão avaliar e ser avaliados dentro de um espírito de partilha que, sinceramente, eu não senti que existisse antes como factor de carácter geral: praticamente nunca conheci trabalho mais autónomo do que o docente. Será esse espírito de partilha, de entre-ajuda, que poderá fazer toda a diferença e os professores "funcionalizados" auto-excluir-se-ão naturalmente. O que significa que a sua avaliação será um processo fácil e, o que é mais importante, justo...
O que não poderemos evitar, na minha opinião pessoal e discutível, é que a Avaliação veio para ficar. Que, como qualquer mudança profunda (e eu desejaria que ela fosse causa de mudança de tudo o que está menos bem), ela vem sempre acompanhada de alguma injustiça que recai sobre os melhores. Mas que, após um curto período de tempo (assim seja!), ela acabará por se auto-regular. E então os bons e os maus serão facilmente reconhecidos como tal.

Produzir a ambiguidade – uma solução para o problema da sobrevivência profissional.

Simplificar para combater a burocracia, definir objectivos minimalistas que correspondam a práticas correntes, reduzir as grelhas ao mínimo absoluto. Estas são algumas sugestões do JMA que visam garantir a sobrevivência profissional face ao processo de avaliação do desempenho docente.

As sugestões são benignas mas não suficientemente claras para ultrapassar a ambiguidade conceptual que o próprio modelo de avaliação encerra.

Esta limitação acaba por fazer emergir a pergunta:
Será que este repto à simplificação, cada vez mais propagado na escola, ao invés de revitalizar a confiança dos actores situados não estará a gerar ainda mais entropia no sistema por não existir uma ideia suficientemente consensual sobre o significado de simplificar?

Não ouço nenhum professor defender a complexificação do processo de avaliação, apesar dos resultados expressos nas grelhas de avaliação, algumas vezes, sugerirem o contrário. As pessoas querem simplificar mas não sabem como se simplifica. Por falta de respostas, por inconsistências várias, por receio de entrar em conflito com a norma externa, o problema acaba por gerar instantaneamente a sua própria resposta: a produção da ambiguidade faz com que as normas pareçam mais consistentes.

Eis a solução: produzir documentos ambíguos! Houvesse confiança nas pessoas e nos processos situados e nenhuma escola teria problemas com a avaliação do desempenho.

sexta-feira, setembro 26

Apresentação

O Miguel fez-me o convite há algum tempo.
Como chegou por um endereço de email que uso muito pouco, ficou a "hibernar" até anteontem. 

Quando o li a primeira reacção foi declinar, até porque me parece que o meu temperamento e a minha escrita são muito menos calmos e reflectidos do que os dos restantes confrades.

Mas o Miguel não desiste facilmente e por isso aqui estou.
Sem poder prometer uma colaboração muito regular, mas que tentarei que seja num registo que não desalinhe da orientação editorial do blogue.

Entretanto continuarei no outro cantinho onde volta e meia tento (re)flectir e, muitas vezes, me atiro que nem gato a bofe às injustiças com que me deparo.

Cumprimentos a todos os confrades, esperando que a colaboração não deslustre.

Novo confrade…

O JFSantos, um blogger muito interventivo da nossa blogosfera docente, enriquecerá a nossa equipa com o seu olhar sagaz sobre a realidade educativa... e não só.
Bem-vindo, Francisco.

quarta-feira, setembro 24

Avaliação - Construir alternativas sensatas e possíveis

Aceito mais um desafio da nossa querida IC (sempre querendo sarar feridas, sempre procurando o máximo divisor comum, sempre na busca de alternativas à asfixia burocrática ou proletária ou mesmo dos mestres da catastrofe): o de construirmos colectivamente e pluralmente respostas para 3 problemas centrais que afectam do modelo de avaliação em curso.


Começarei pelo último parágrafo de um dos post sobre o suicídio profissional: Gostaria de acreditar que há inteligência suficiente nas nossas escolas para impedir que este cenário se desenvolva. É possível que as soluções, por uma vez, estejam dentro de nós. E não longe, em cima, algures....


Identifico, o que para mim são, 3 problemas centrais: tempo saturado, intenso, complexo; a burocracia (uniformidade, obsessão do escrito, perversão de tomar os meios pelos fins); a atomização e a fragmentação das práticas induzidas pelo modelo instituído.


Ora estes 3 problemas estão a gerar um acentudao desnorte, desgaste, esgotamento, desmobilização. Com a agravante de nos estarmos a perder no secundário (a matriz do suicídio profissional está aqui - a meu ver.


Face a isto, não há muitos, mas de qq modo, vários caminhos. Vejo dois (tipos ideais): berrar e encharcar-se cada vez mais no veneno,pedindo soluções de fora ou de cima. Ou agir, nos contextos da acção no sentido da sobrevivência profissional.


Por mim, opto pelo segundo caminho (sem descurar outros, que não o primeiro que jamais seguirei). No Terrear já sistemazei algumas ideias simples: só pactuar com as reuniões obrigatórias; definir sempre hora limite para a reunião (2 horas, se for possível só uma melhor); reservar sempre 5 minutos finais para avaliar da eficácia (que tem em regra bastante a ver com as metas que devem ser precisas); definir sempre o maior tempo para o que é essencial: pensar, procurar saídas mais sensatas (a isto chamo investigar) para fazer aprender os alunos, instituir a diferenciação pedagógica, avaliar, cooperar na produção de materiais que possam servir ao colectivo; não dedicar mais do que um tempo mínimo à burocracia avaliativa; definir e acordar objectivos idividuais minimalistas e que correspondam às práticas correntes; organizar um sistema de arquivo de dados e evidências (pode ser o portefólio ou outra coisa qualquer); resistir a todos as prisões das grelhas (que devem ser reduzidas ao mínimo absoluto).


Lanço o desafio aos confrades do aragem para que em entradas autónomas enunciem outras saídas possíveis saudáveis e dignificantes dos professores. Saídas que dispensem todas as tutelas infantilizantes e todas as obsessões doentias.


___________
IC -
Acrescento às sugestões do JMA:
Estabelecer uma relação cooperativa entre avaliador e avaliado, assente no princípio de que a avaliação é essencialmente formativa/construtiva.
(Isto será defendido por todos teoricamente, mas é preciso que seja mesmo praticado. Aliás, o avaliador que não se mostre capaz de estabelecer essa relação com os avaliados deverá (deveria) ser considerado inapto para a função de avaliador.

E... por que não assumir a prática de o avaliador disponibilizar a assistência a aulas suas antes de assistir a aulas do avaliado?)

______________
Miguel -
Se bem entendi as questões levantadas pelo JMA e o que elas sugerem, a operacionalização do modelo de avaliação do desempenho imposto pelo ME promove o definhamento profissional. E o seu apelo vai no sentido de encontrarmos “saídas possíveis saudáveis e dignificantes dos professores”. Isto é, para fazer bem o que nos pedem não devemos fazer exactamente o que nos pedem.
Questiono-me muitas vezes se este repto à simplificação, cada vez mais propagado na escola, ao invés de revitalizar a confiança dos actores situados não estará a gerar ainda mais entropia no sistema por não existir uma ideia suficientemente consensual sobre o significado de simplificar?

Agora que o Natal aí vem...

Pois é, agora que o Natal aí vem, porque não tarda nada que as montras se encham de coisas que pretendem ser símbolos, que os anúncios se dirijam ao “espírito natalício”, que os pequenos comecem a pensar numa nova playstation, vou contar uma pequena história que me chegou aos olhos via Internet. A minha conhecida presunção leva-me, até, a crer que a sua divulgação é um acto social...
Mike, como lhe chamam na Internet, passava a época do Natal de cenho franzido, incomodado com o seu aspecto comercial. Parecia que o Natal o irritava e a esposa encarava a tarefa de arranjar um presente para ele com a maior preocupação. Ora uma vez, quando o seu filho mais velho tinha doze anos, participou num campeonato escolar de luta livre em que a sua escola defrontava uma escola pobre das redondezas. O filho de Mike e os seus colegas, devidamente equipados, venceram com relativa facilidade aqueles meninos voluntariosos, alguns até muito bons, mas que competiam vestidos com as suas próprias T-shirts e com sapatilhas tão velhas que mal se seguravam nos pés. A mulher reparou que Mike felicitou o filho com pouco entusiasmo e, a sós com ela, deixou escapar: "Gostava que ao menos um daqueles garotos tivesse ganho a sua partida. Alguns são mesmo bons, mas vão ficar desmoralizados. E ninguém sabe o que pode nascer dessa desmoralização". Isto passou-se a meio do primeiro período lectivo, meados de Novembro, e a mulher de Mike teve uma inspiração: logo que pôde, foi a uma loja de artigos desportivos e comprou camisolas e sapatilhas que mandou entregar naquela escola, para os alunos da classe de luta livre. Trouxe a factura, anexou-lhe uma cópia da carta que enviou com os presentes para a direcção da Escola, meteu tudo num sobrescrito e guardou. No dia de Natal, quando entregava as prendas à família, pegou no sobrescrito e deu-o ao marido, dizendo-lhe: "Toma, aqui tens o meu presente de Natal". Ele abriu, intrigado e ainda de cenho franzido, pelo que o sorriso largo e feliz que se lhe seguiu até aos próprios filhos espantou. Pedindo aos meus leitores que preencham os pormenores que se terão seguido, o que é muito mais interessante do que quer que seja que eu escreva, julgo que adivinham que, daí em diante, o presente de Mike deixou de ser um problema para a esposa: no ano seguinte comprou bilhetes e transporte para que crianças diminuídas mentais pudessem ir ver um jogo importante de baseball. Depois, enviou um donativo para dois irmãos que perderam a casa num incêndio na semana anterior ao Natal. O ponto alto da quadra era o mistério do que estaria dentro do sobrescrito de Mike. Os seus três próprios filhos ficavam tão suspensos do que seria, que pediam ao pai que o abrisse ainda antes de eles abrirem os seus próprios embrulhos.De acordo com a história, Mike morreu no princípio de 2003 e a viúva hesitava se deveria ou não prosseguir com a tradição. Depois de pensar um pouco, decidiu continuar a ajudar alguém como um presente para Mike e, no Natal, junto dos presentes para os filhos e suas famílias, depositou o sobrescrito habitual. Os filhos, já de família constituída, chegaram e cada um deles, sem ter falado com os outros, trazia também um sobrescrito para Mike. Cada um com algo feito para outros que mais precisavam, em memória do pai.Se, nesta altura da leitura, alguém começar a abanar a cabeça e a dizer que isto é treta, desengane-se: há mais exemplos destes do que aquilo que se sabe e quantos mais houver, melhor. Por mim e para já, entre outras coisas, adaptei o procedimento à família. O ano passado, sabendo que um dos meus filhos andava preocupado porque não sabia o que me havia de oferecer no aniversário, peguei o problema de caras e disse-lhe que uma coisa que me daria muito jeito seria arranjar a luz da cozinha (ele é muito jeitoso de mãos). Ofereceu-me e colocou uma luz "decente", como ele diz. Como estou quase a fazer anos outra vez, ontem, olhando para o tecto, disse-me: "Agora, com esta luz, é que se vê como o tecto precisa de pintura". Resposta minha: "Fica para o Natal". Basta-me comprar a tinta... e em Dezembro terei, se Deus quiser, a minha cozinha pintada de novo, como presente. Quem é que disse que, afinal, o Natal não pode ser todos os dias?

segunda-feira, setembro 22

Livros, livros, livros...

As pessoas da minha geração têm, geralmente, uma tentação de conservar as coisas. Ou antes, têm dificuldade de se desfazerem das coisas. A Psicologia pode explicar os fundamentos para esta atitude com relativa facilidade, mas como sempre um pouco em contra-corrente, ando com uma vontade louca de arranjar coragem de me desfazer de mil miudezas, acumuladas em duas casas, ainda por cima. Dar, ninguém quer receber. Uma vez já fiz um leilão, tudo a um euro, e lá despachei umas coisas, mas havia uma motivação que levava as pessoas a comprar: a quantia apurada, devidamente registada, era para ser entregue numa obra em Moçambique.
Este preâmbulo serve apenas para eu expor um problema: o que tenho mais de meu, realmente meu, são livros. E não consigo arranjar coragem para me desfazer deles! Vejo-me aflita para resistir à tentação de comprar mais, o que é praticamente impossível, e depois não sei onde os hei-de pôr.
Bem, mas esta conversa de livros traz agarrada a si uma das coisas mais bonitas de que tive conhecimento como Professora. Não aconteceu comigo, mas garanto a verdade dos factos.
Numa escola dos arredores, durante a experiência da gestão flexível do currículo, o Presidente do Conselho Executivo conseguiu uma adesão extraordinária de toda a comunidade escolar para mudar algumas coisas: não havia campainha, os docentes planificavam em conjunto e quando um tinha necessidade de faltar avisava outro que estivesse livre (tinham os contactos e os horários uns dos outros) e os alunos estavam sempre acompanhados.
Por outro lado, sendo uma zona em que havia algum policiamento mais visível, alguns agentes colaboraram com o pedido feito de "acordarem" alguns alunos que não tinham quem os acordasse. Mas numa de serviço cívico e não de autoridade.
Outra particularidade que eu verifiquei foi a de que os pais eram chamados e recebiam uma espécie de "lições": o seu menino (!) precisava de tempo para brincar, portanto, nada de o obrigar a ir a correr buscar a avó ao centro de dia, ou levar-lhe o remédio, ou ir buscar o irmão à ama... Não é que não fosse bom ele fazer isso, mas tinha o direito a ser criança nem que fosse meia-hora. Além disso, precisava de um lugar para estudar - nem que fosse a mesa da cozinha - e precisava de um lugar certo para pôr os livros... Aí, houve uma gargalhada quase geral: "Lugar para pôr os livros? Quer que a gente compre uma estante, não? Ainda mais essa!"
Mas, pacientemente, se explicou que com dois tijolos e umas caixas de madeira de supermercado se fazia uma prateleira. Ele, Professor, quando se casara, tinha sido assim que resolvera o problema porque o dinheiro não abundava...
Bem, para encurtar a história, vamos ao importante: apesar dos cuidados, havia um aluno que estava quase a reprovar por faltas e como a montanha não ia a Maomé, foi Maomé à montanha: a directora de turma resolveu ir a casa do faltante e, chegando lá, encontrou o seu aluno à bulha com um vizinho e as mães já a começarem a puxar o cabelo uma à outra. A Professora tossiu (é uma maneira muito inteligente de chamar a atenção de alguém...) e a mãe do aluno apartou-se da outra e gritou para o filho. "Oh Jorge, olha a tua Professora; anda-te embora qu'isso é gente que nem livros em casa tem!"
Que belo diploma aquela mãe passou àquela Escola!

domingo, setembro 21

A outra margem

Trovante - A outra margem

Porque o texto da colega Carmo me fez lembrar este outro.

sábado, setembro 20

Há coisas que me continuam a causar espanto!

Estou a escrever pela primeira vez para o Aragem. Sou a Avó Pirueta, tão simplesmente. Tenho que começar por agradecer o convite para participar mas fico um tanto envergonhada com a saudação de boas-vindas com que o José Matias me apresenta. De facto, e muito sinceramente, fico sempre admirada por as pessoas darem tanta importância a pequenas coisas que faço. Por isso, queria desde já esclarecer quem me começar agora a conhecer que tudo o que tenho feito na minha vida, se ajudou outros, ajudou-me primeiramente a mim própria.
Não sou angolana, nem moçambicana, sou, antes de mais nada, uma cidadã do mundo que tem uma costela profundamente africana. Algo em mim me empurra para África e não há dúvida de que África exerce sobre mim uma atracção difícil de gerir.
Como Professora, pois vou sê-lo toda a vida, enquanto tiver um cérebro que funcione, e falando de Angola e Moçambique, foram espaços em que me senti completamente realizada. A Educação, representada pela Escola, apresenta-se-nos aí com toda a sua importância. O que se faz são milagres, muitas vezes improvisados (quase sempre, para ser mais franca). Mas os milagres não resolvem problemas de fundo. Aliás, milagres é coisa que não me seduz por aí além, e estou muito bem acompanhada: Jesus não gostava nada que lhe pedissem milagres...
Bem,´Angola e Moçambique têm uma imensa população infantil e juvenil. A maior parte sedenta de aprender. Não me vale de nada dizer que Angola é muito rica. Não é o dinheiro que prepara Professores, é o Tempo e bons Mestres. Há uma grande carência de professores bem preparados, sim, mas também de manuais escolares adequados à realidade local. Até o vocabulário deve ser bem estudado. Porque para aprender, nos primeiros anos, e especialmente no interior, serve qualquer árvore que proteja do sol...
Não é por tudo isto, contudo, que alguma vez deixarei de me interessar pelo que se passa na Escola em Portugal. Sou, nesse campo, bastante crítica sempre que não se faz o possível. E não me estou a referir só aos professores: na Quinta-feira, em Lamego, ouvi uma conversa de rua entre duas mães. Relativamente jovens. E dizia uma delas: "A minha filha, coitadinha, lá foi hoje para o liceu! A primeira vez! Vinha assustadita, coitadinha! É muita coisa, muitos livros, muitos trabalhos! Deus queira que ela se dê bem!"
É claro que a coitadinha não se vai dar bem! Cada vez que não se apetecer trabalhar, basta arranjar uma carinha preocupada (à porta de casa), dizer que está cansada, que tem muito que estudar. E aquele mãe amantíssima irá a correr mandá-la sentar-se no sofá, levar-lhe o lanchinho num tabuleiro e dizer que descanse. Ora bolas! Estudar é algo que Pais e Professores (as minhas maiúsculas são sempre intencionais e significativas) devem estimular como uma tarefa que nos ajuda a crescer. Não é uma penitência, é uma oportunidade! Por cada menino mimado que acha que a Escola é uma chatice, há centenas, para não dizer milhares, de meninos para quem a Escola é um sonho, uma miragem.
Fico por aqui. Na próxima darei exemplos mais concretos. Porque gosto de chamar as coisas pelos nomes.

quinta-feira, setembro 18

Aplaudamos, pois!

Seria bom seguir-lhes o exemplo noutros domínios: via Rui Bebiano

quarta-feira, setembro 17

Tempo de boas-vindas...

É com prazer que anuncio mais uma jovem presença no Aragem: a Carmo Cruz (a Avó Pirueta). Professora aposentada do 9º grupo (secundário, Inglês - Alemão), é uma maravilha de determinação, de cultura, de amor ao próximo, de dedicação, de sabedoria. Conheci a Carmo, talvez há dez anos, quando ela trabalhava na Escola Secundária Filipa de Vilhena e organizava na Areal eventos diversos ligados à formação de professores. Aposentada, rumou a África (primeiro Moçambique e depois Angola, de onde, creio, é natural) onde semeou muito de si. 

É uma mulher do mundo e da humanidade. Creio que ficamos todos numa óptima companhia. Sê bem-vinda, Professora Carmo. Farás este espaço melhor. 

Cabe-me a honra de apresentar...

... mais um elemento da confraria.
É o meu amigo e colega Joaquim Lopes, mais conhecido no ciberespaço por Herr Macintosh ou simplesmente Jakim.
Dos melhores professores que conheço. Meu mestre em tecnologias desde sempre: tenho de lhe agradecer este vício terrível em que acabei presa, embora eu já tivesse uma tendência (ele apurou-a e assim me condenou a esta escravidão :). Só não conseguiu converter-me aos Macs... (Fomos colegas na Luísa Todi por muito mais que dez anos... partilhámos anos de projectos... Nónio, Ciência Viva, Laboratório multimédia e outros desvarios).
Crítico, cáustico, com um sentido de humor especial, pareceu-me que seria uma boa sugestão para enriquecer a nossa confraria.
Ah! Gosta muito de Matemática... está ligado às TIC - sendo coordenador, professor, formador (e dormindo muitas vezes na escola), ... mas é professor de História e Língua Portuguesa... especialmente do 2º C.... embora este ano esteja a tomar conta de sétimos... Comprador compulsivo de livros (eu e ele competimos frequentemente e recebo dele dicas fantásticas... fica a Amazon a ganhar... e a minha mente também...).
Especialista em multimédia e e-learning... ele que diga o resto.
(Cora com facilidade... já deve estar corado agora com tanto elogio)

Bem-vindo Joaquim!

terça-feira, setembro 16

...como as cerejas

...são as conversas e os pensamentos. O excerto deixado pelo JMA lembrou-me este outro sobre a aprendizagem da democracia na escola:

"De que modo organizar então uma socialização democrática? Tentando organizar a escola como uma cidade democrática" (...) Todos sabemos que, partindo do facto de que não se sabe ler, é a ler que se aprende a ler. O método resulta porque estes 'primeiros passos' (é assim que se aprende a andar!) são acompanhados por um adulto que, a fim de que a acção seja possível, guia e compensa as lacunas provisórias de quem aprende e retira-se à medida que a sua assitência se torna supérflua. A aprendizagem da democracia pelas crianças e adolescentes só pode ser encarada assim."
Philippe Perrenoud, 2002, A escola e a aprendizagem da democracia, Porto, Ed. ASA, p. 46

segunda-feira, setembro 15

A Maternagem...

Por amável sugestão da IC, aqui retomo a parte final de um texto que amo (há muito tempo) e que coloquei no terrear:

"(...)
A terceira prática é a maternagem. Quando a criança aprende a andar, a mãe não discorre nem demonstra; ela não ensina a marcha, não a representa (não se põe a andar diante da criança): apoia, encoraja, chama (recua e chama): incita e protege: a criança pede a mãe e a mãe deseja a marcha da criança."

Roland Barthes

As palavras que (não) salvam...

(...)
Un grupo de ranas caminaba a saltos por el bosque. De pronto, dos de ellas cayeron en un hoyo profundo. El resto de las ranas se reunió alrededor del pozo. Cuando vieron cuán hondo era, les dijeron gritando a las dos compañeras que se dieran por muertas, que ni se les ocurriera tratar de salir.
Las dos ranas no hicieron caso a los gritos de sus amigas y siguieron intentando con todas sus fuerzas salir fuera del hoyo. Las que estaban fuera insistían en que los esfuerzos serían inútiles.
De pronto, una de ellas creyó que era preferible hacer caso a los consejos de las compañeras: ¿qué sentido tenía seguir saltando?, ¿para qué ese esfuerzo estéril? Tarde o temprano el desenlace fatal se iba a producir. En definitiva, que se rindió, se desplomó y murió. La otra rana no se daba por vencida y continuaba saltando tan fuerte como le era posible: “¿por qué no voy a salir?, ¿por qué no lo voy a intentar una y otra vez? Puede ser que no lo logre, pero yo lo voy a seguir en el empeño”, se decía.
El resto del grupo, al ver lo sucedido con la rana muerta, le gritó a la otra que abandonara aquel martirio inútil y que simplemente se dispusiera a morir, ya que no tenía sentido seguir luchando. Pero la rana, en un esfuerzo supremo, saltó una vez más y logró salir del hoyo. Y afuera la felicitaron:
- Nos alegra que hayas logrado salir, a pesar de lo que te gritábamos.
La rana no daba señales de entender nada de lo que le decían. Las otras, entonces, le hicieron gestos para que explicase lo que sucedía. La rana les explicó entonces que era sorda y que, aunque no había podido escuchar lo que le decían, había pensado que la estaban animando a esforzarse más y más para poder salir. Y que por ello les daba las gracias. Sus gritos de aliento la habían salvado
La rana se salva porque interpreta las voces como gritos de aliento, como impulsos para la superación. La animan, la motivan, la hacen saltar. Y, en definitiva, la salvan. Tiene la rana no sólo una respuesta coherente con lo que cree que le dicen. Además, tiene la magnífica actitud de interpretar de forma positiva aquellas voces que se dirigen a ella de forma inhibidora y destructiva. Es esa una actitud mejor que su contraria: la actitud de convertir en estímulos negativos lo que el otro plantea como impulsos para la superación.
(a partir de MSG)

sexta-feira, setembro 12

É uma boa notícia: O Aragem não definhou!

Agora, como lembrou a IC, basta que cada um assuma o Aragem como “nosso” – portanto como seu! “[...] faz todo o sentido o Aragem continuar (Henrique)”, faz todo o sentido fazer do Aragem “O espaço de todos os que aqui passam (Matilde).

Sim, “porque há aqui laços... e o Aragem é uma forma de os manter (3za)”. “O fio condutor já existe: EDUCAÇÃO e CIDADANIA (com algum humor pelo meio que também faz falta) (13za), “ “leveza, alternatividade, poesia, música, videos, filmes; e registo de boas (e menos boas) práticas... (JMA). “Mas sempre uma ARagem mesmo... leve, fresca, descansada... (Ana)”.

É verdade que “Algumas regras básicas organizacionais poderão ajudar (um cronograma flexível de 'editoração', temas para debate..., sei lá... (JMA)”. E se deixarmos que todas as propostas já experimentadas sejam relançadas sempre que a iniciativa de cada confrade o ditar? Se concordarem esta seria a regra. Portanto, cada um estabeleceria a regra num período de tempo restrito.

Porque me cabe estabelecer a primeira(?) regra, é tempo de reabrirmos a porta do Aragem a novos confrades. Há sugestões?

quarta-feira, setembro 10

Tudo Acontece por Bem (?)

"O extraordinário contador de contos e íntimo amigo Paco Abril falou-me uma vez de um rei que tinha uma interminável corte de assessores. Um deles distinguia-se porque, depois de cada acontecimento, apostolava de forma inexorável: "Tudo acontece por bem". Um dia, o rei partiu um braço. Os assessores pensaram que essa seria a ocasião propícia para que o companheiro optimista perdesse os favores do monarca. De facto, quando o rei se encontrou com o seu assessor predilecto, este perguntou-lhe:

- Majestade, que aconteceu?

- Uma queda desafortunada provocou-me a fractura do braço e tenho umas dores horríveis.

- Tudo acontece por bem, Majestade, disse o assessor.

Essas palavras provocaram a ira do rei, que o encerrou imediatamente nas masmorras do palácio. Alguns dias mais tarde, o rei saiu de passeio a cavalo. Perdeu-se. Caiu em mãos de uma tribo de antropófagos. Decidiram condená-lo à morte e comê-lo. Quando estavam prontos para o sacrificar, o feiticeiro da tribo disse:

- Não podemos comer o rei. O seu braço não está bom. Se o fizermos, podemos morrer.

O rei foi libertado. Graças à rotura do braço, salvou a sua vida. Regressou ao palácio e dirigiu-se, sem perder tempo, à cela do assessor prisioneiro. Contou-lhe o que tinha sucedido.

- Tens que me perdoar. Tinhas razão. O braço ferido salvou-me a vida. Mas para ti não foi negativo, uma vez que foste preso. Sinto muito. És livre outra vez.

- Também para mim foi positivo. Porque se não tivesse estado na prisão, teria saído de passeio a acompanhar, como sempre, sua Majestade. Os membros da tribo, ao ver que o meu braço estava bom, ter-me-iam comido."


(a partir de MSGuerra)

sábado, setembro 6

Conversa secreta

Eva: Tenho um problema.

Deus: Qual é o problema, Eva?

Eva: Sei que me criaste. Que me deste este belo jardim, todos estes animais maravilhosos e esta serpente com que me farto de rir... Mas não sou feliz. Estou sozinha, aborrecida, farta de comer maçãs...

Deus: Bem, Eva, não te preocupes, tenho uma solução para o teu problema de solidão. Vou criar um homem para ti.

Eva: O que é um homem?

Deus: O homem será uma criatura imperfeita, com grande capacidade para armar intrigas e mentir. Será exímio em enganar e muito orgulhoso. Digamos que te irá criar alguns problemas. Mas será mais forte e mais rápido do que tu, de modo que te poderá proteger fisicamente. Gostará de caçar e de matar animais, terá um aspecto primitivo e uma mentalidade simples. Não será muito inteligente. Distinguir-se-á na execução de criancices, como dedicar-se a dar pontapés numa bola. Mas como te queixas de solidão, irei criá-lo de modo a satisfazer as tuas necessidades físicas. Uma coisa é certa, necessitará sempre do teu conselho para agir correctamente.

Eva: Estou a gostar de ouvir, disse Eva, enquanto levantava o sobrolho com ironia. Mas, que terei eu de dar em troca?

Deus: Como te dizia, o homem será arrogante, vaidoso e muito narcisista... Deste modo, terás de lhe dar a entender que o criei a ele em primeiro lugar. E lembra-te que será este o nosso segredo. De mulher para mulher.

(Fonte: MASG)

Blogue brilhante

A Teresa e a Isabel nomearam o Aragem. Há aqui um erro, um vício na nomeação, porque as duas fazem parte da confraria. E quem é que se importa? Pelo que percebi das regras [eu disse regras?] do concurso [presumo que serão ainda menos viciadas do que foram as regras do concurso para titular], há que nomear sete blogues brilhantes.


Sugiro que deixemos de fora dos holofotes os blogues pessoais dos elementos da confraria. Cada um dos confrades deverá entrar no modo de edição desta entrada e acrescentar um blogue que no seu entender mereça o título. Simples? Fecharei a entrada depois das vossas votações.

Quem é @ primeir@ a nomear e quem merece a nomeação?

3za - Piruetas de Avó ...

JMA - participo para dizer que não sei... (a hipótese da 3za, era a única que me ocorria...). Mas digamos que também não vou muito à confraria dos prémios...

IC - Como já fiz a minha lista no meu cantinho, estava a deixar as nomeações para outros confrades. Mas, como tardam, sugiro uma, não sem antes dizer que o meu conhecimento da blogosfera é muito circunscrito e que ligo pouco ao título "brilhante" (nem tudo o que brilha é ouro, diz a sabedoria popular). Porque conheci há pouco tempo o blogue da Fátima André e gostei, tendo-o juntado às minhas visitas frequentes, aqui o acrescento: Revisitar a Educação

tsiwari : sem qualquer hesitação - anterozóide - pelo sorriso que consegue pôr-me nos lábios, post após post.

Miguel: Entre as intermitências dos confrades mais... errantes ;) deixo uma ponta para um blogue que nunca me deixa indiferente. A Lucília Nunes é uma professora [de outro nível de ensino] que gosta de conversar com subtileza. Coisa rara neste tempo. O blogue é o Conversamos?!

quarta-feira, setembro 3

Que futuro para o nosso Aragem?

Caros confrades,
Com a presente entrada convoco-vos para um debate sobre o futuro do Aragem. A vossa opinião e os olhares sobre o assunto podem ser lançados aqui, no próprio Aragem, em canal aberto. Se preferirem manter a discussão em canal fechado, não há qualquer problema, basta um email.

Permitam-me eleger uma razão epidérmica, como eu gosto de a designar assim, para mantermos este cantinho: sinto que há uma grande empatia entre os confrades, naturalmente essa proximidade é variável entre elementos da equipa. Há outras razões, obviamente. Mas não quero centrar a conversa naquilo que penso sobre o assunto.

Passo-vos a palavra...

terça-feira, setembro 2

ALPORTUCHE


ALPORTUCHE

É um espaço renascido e renovado que pretende colaborar na preservação do Parque Marinho da Arrábida, de forma particular, mas procurando envolver o maior número possível de pessoas.
Aqui fica a divulgação e uma chamada de atenção.

segunda-feira, setembro 1

... e já voltamos ao costume!!!

[Dedicado à IC]

Ainda nem conheço a maior parte dos colegas. Muitos novos a chegar, de expectativas numa mão e receios noutra.

E já tenho os entusiastas notórios e os derrotados à nascença.

Quem sabe disto são os Deolinda. Ora ouçam e vejam lá se não reconhecem a realidade de muitos locais de trabalho (escolas incluídas)...


... e preparemo-nos para isto.


Acabaram as férias...

Não se esqueçam de vir assinar o livro de ponto! ;o)

Entretanto, deixo uma canção...
[Não me ocorre outra, mas a voz do Zeca nunca é demais... Talvez o Tsiwari queira ajudar com outra canção de "arranque"...? ;) ]


sexta-feira, julho 25

Recuperar a esperança perdida


Começar por Londres acho que foi uma boa ideia.
As flores não são de plástico e o ambiente é outra coisa.
Aqui deves ouvir falar todas as línguas do mundo, o que te faz sentir em casa!

Depois aquele deitar na relva como não há em Portugal!
Será que posso?!
Podes sempre!

Um beijão grande para todos vós!
From London.

quarta-feira, julho 23

sábado, julho 19

Ser Professor...



É vê-los crescer...
no talento
na imaginação
na curiosidade
no saber.
E crescer com eles.
É vê-los sentir...
a dor
a frustração
o desânimo
o medo.
E sentir com eles.
É vê-los viver...
a amizade
a tranquilidade
a alegria
o riso.
E viver com eles.
É,
todos os dias,
acreditar no sonho.
No sonho deles.
No nosso sonho.

terça-feira, julho 15

Esperança inteira...

Espera com paciência que o dia um dia vai chegar

Sempre chega o dia de inundar de luz o escuro

Porque não há passado nem presente sem futuro

Espera, mas não apenas... faz o dia acontecer um dia que há-de vir

Revolta-te, grita, empurra, não cales, não te deixes adormecer

A luz só vem se formos muitos a puxar e a querer

Não há caminho feito, só estrada para construir

Ç com cedilha entrelaçando esperança no verbo alcançar

As coisas verdes para acontecerem têm de se semear...

O que sei...

Que há noite.
Que há madrugada.
Que há manhã.

Que não há noite que sempre dure.

E que sem esperança é impossível ser professor.
Difícil, o tempo. As circunstâncias.
Até a con vivência, nas esquinas feridas.

Mas creio que não há outro caminho
para quem não desistiu de 'inventar dias mais claros'.

Mesmo na diferença e na controvérsia
(desde que o respeito do outro seja salvaguardado).

Por isso, esta semente.
(que também sabe que tem de morrer).

segunda-feira, julho 14

Meias-palavras com esperança

"O pensamento visita as circunstâncias, em vez de a mente viver o inferno delas."

Michel Serres


(imagem retirada daqui)

(Quase) Tempo de Férias

Aproximam-se as férias. Para muitos professores, não será fácil pensá-las confiantemente como tempo de levantar o ânimo, tempo de recuperar a confiança, tempo de recriar a esperança. O prazer de educar e ensinar e a crença na luta por uma escola pública de qualidade foram demasiado abalados.


Mas os tempos estão em constante mudança, é preciso que as vontades não aceitem desistência.


Aqui fica uma sugestão: Que cada confrade (e outros) deixe, neste espaço de aragem leve e fresca, o seu grãozinho de esperança, com sabor a férias, mas também com cheirinho a reconstrução da colaboração e da resistência que muita força podem ter se os professores quiserem.