Quarta-feira, Julho 1

Desempoeirar

Domingo, Maio 24

Scratch Day

Já que a 3za abriu o apetite, agora fica também aqui o vídeo do decorrer do evento (para quem ainda não o tenha visto).

Aqui

Sexta-feira, Maio 8

Scratch day (abrir o apetite)

Pormenores a caminho...

Sábado, Maio 2

Articulação curricular – revisitar os fundamentos

Quando dizemos que a educação escolar visa a formação integral das crianças e jovens estamos a dizer duas coisas muito simples: 1. Que a personalidade é multilateral e harmoniosamente desenvolvida; 2. Que as disciplinas escolares cooperam no desenvolvimento dos diversos aspectos da personalidade.
A organização do sistema educativo, os conteúdos curriculares e os programas de ensino, devem estar devidamente articulados, direi, harmoniosamente articulados, porque se crê que a harmonia do sistema escolar é conexa à harmonia do desenvolvimento da personalidade das crianças e jovens.
É neste sentido que eu defendo que a articulação curricular está impregnada no meu conceito de escola. A articulação curricular não é mais do que uma forma de facilitar a assimilação de cultura às crianças e jovens e porque é uma forma de tornar mais eficiente o processo educativo. Mas convém relativizar a importância da articulação curricular no processo de formação da personalidade dos sujeitos:

  • Primeiro, porque as crianças e jovens têm uma palavra a dizer na sua própria formação, isto é, são sujeitos “activos. Quero com isto dizer que as crianças e jovens não são apenas objecto e produto das relações sociais e das actividades em que participam. São também sujeitos activos, actuantes e transformadores das suas circunstâncias.
  • Segundo, porque é possível o desenvolvimento da personalidade dos sujeitos sem um sistema educativo coerente e articulado. Recusar esta evidência é admitir que o sistema educativo português nunca educou. Recusar esta evidência é fazer-de-conta que a articulação curricular foi mais do que algumas experiências de colaboração avulsas, reguladas administrativamente, compulsivas e orientadas para a implementação de ordens superiormente determinadas.

A IC enfatizou, no comentário à minha entrada anterior, as possibilidades e dificuldades da articulação curricular. JMA considera que é necessário intervir a montante. Subscrevo os dois pontos de vista. Mas eu não sei a que "montante" se refere o JMA. Sei que a escola, como um espaço de ensino e aprendizagem, em qualquer área do conhecimento e da cultura, deve consubstanciar, antes de mais, um processo pedagógico de desenvolvimento da personalidade, tem de ordenar valorativamente as actividades escolares, já que são as actividades que suscitam a autonomia, um determinado grau de consciência e um determinado grau de criatividade às crianças e jovens.

O reino das articulações débeis num modelo escolar fabril

A Isabel em longo e pertinente comentário colocado na entrada anterior faz uma interessante reflexão e termina com 3 questões que nos devem fazer pensar. São difíceis as questões. Impossíveis, talvez, as respostas. Porque a matriz do modelo escolar, a sua gramática mais profunda funda-se na ideia matricial da desconexão, da separação, da clausura. Separam-se os conhecimentos, inventa-se o aluno para que pessoa se dissipe e melhor se afaste da família, separa-se o espaço, o tempo. As escolas são em larga medida aulários. Os espaços existem para separar (só o recreio permite a união!), os tempos também. As escolas são lugares de desencontros entre conhecimentos e pessoas.

E é porque esta gramática possui estas bases que é muito difícil a articulação do currículo, dos espaços, dos tempos, das pessoas.... A área escola (que era o dito pulmão da reforma curricular) morreu de inanição. A área de projecto tem dificuldade de afirmação. Isto não quer dizer que não se tenha de inverter a lógica de organização. Tem. Mas é necessário intervir a montante. Para que o esforço individual e colectivo tenha algum sentido e eficácia.

Quarta-feira, Abril 29

Articulação curricular.

1. Sou um adepto activo da articulação curricular porque o conceito está impregnado na minha concepção de escola e na minha percepção de profissionalidade docente.
2. À articulação curricular subjaz uma ideia de colaboração e de colegialidade. Não me refiro a uma colaboração qualquer, a uma colaboração que divide, a uma colaboração artificial típica da balcanização do ensino.
3. A articulação curricular não emerge por decreto ou por determinação superior. A articulação curricular resulta de uma cultura de escola assente na confiança nos processos e nas pessoas.

Pergunto se é possível uma articulação curricular genuína nesta escola fabril idealizada pela equipa governativa que prefere adoptar formas paternalistas de confiança?

Sexta-feira, Abril 17

Já pensaste que...

Já pensaste que...

Já alguma vez pensaste
que é bom ter olhos
para ver o mundo

e ouvidos
para ouvir os outros




e boca
para dizer tudo aquilo
que dizemos






e pernas
para nos levar
onde somos precisos







e mãos
para ajudar
os que delas precisam






e braços
para estreitar os outros
num abraço


e ombros
para que alguém neles
recline a cabeça fatigada





e cérebro
para pensar em ajudar os outros

e coração
para sentir as coisas
que nem sempre compreendemos
imediatamente.







Já alguma vez pensaste
como tudo isto é maravilhoso?
___________
Leif Kristianson
Via Clube dos contadores de histórias

Sexta-feira, Abril 10

Aprender e Ensinar

« 150 treinos mais 20 a 25 jogos por ano, de novo dispondo de total autonomia na direcção e condução da actividade, a significar terreno profícuo ao desenvolvimento, é no nosso olhar sobre o jogo que começa por ocorrer a mudança.
E o que começa a ocorrer, é que, progressivamente, o olhar na busca dos caminhos para ensinar, vai-se libertando da exclusiva conformidade com os conteúdos, para deslizar na identificação dos problemas que a situação de jogo colocava aos aprendizes.
Aprendemos a olhar não para o jogo, mas sim para o jogo que eles conseguiam jogar, focalizando o olhar nos expedientes de que se socorriam para resolver os problemas, para daí avaliarmos o nível de competência necessária para poderem ter êxito.
E fomos aprendendo que tínhamos de ser capazes de ver o jogo simultaneamente em duas dimensões. A dimensão real, que se traduzia naquilo que estava a acontecer, e a dimensão antecipativa, que se traduzia naquilo que deveria acontecer.
Situando-nos sempre entre o jovem e o jogo, fomos naturalmente percebendo que cabe a quem ensina adequar as condições de prática, quer às particularidades dos praticantes (competências que possuem), quer aos propósitos da aprendizagem (conseguir que joguem).
A experiência de Moçambique ensinou-nos a compreender que se aprende enquanto se ensina, e ensinou-nos a saber procurar mais com a aprendizagem do que com o ensinar.”

Hermínio Barreto (2004) Prontidão desportiva. Equilíbrio entre as capacidades de hoje e exigências de amanhã. In: Gostar de Basquetebol. Ensinar a jogar e aprender jogando (pp 19-20). Lisboa: Edições FMH.

Feliz Páscoa! ;)

Quinta-feira, Abril 2

Dia Internacional do Livro Infantil



Quarta-feira, Abril 1

... nunca precisámos de outra coisa!

Estive (sexta-feira passada) num jantar da minha antiga escola...
O António Pinto Basto (amigo de uma colega) foi o "animador"... cantando...
No final, alguém lhe pediu para recitar um "certo poema"...

Ele não se fez rogado... e é indizível a extraordinária forma como declamou esta peça de rústica e fedorenta poesia (atenção: fê-lo de cor, como intigamente!)... explicando-nos que o poema havia sido escrito pelo seu avô para um certo jantar onde iria estar presente o ministro da Agricultura de então (1934). Confesso que não acreditei... mas depois descobri o que vão escutar e acho que deve ser verdade...

Sim, eu sei, sou garota delicada e tal, dada a poesia refinada, muita cultura e borboletas, flores de jardins e coisas afins, mas... tenho o meu lado rabino, acreditem, embora o mantenha sob controlo. A verdade verdadinha é que chorei a rir (tenho de vos confessar esse pecado, meus caros confrades, não obstante toda esta minha refinada delicadeza que perdeu ali momentaneamente toda a sua compostura).
Devem ser os nervos, o stress e a falta de sorrisos pela escola... Uma certa urgência de rir... A culpa não pode ser minha. Estou certa. :)
Aliás... bem vistas as coisas não confesso nada e como hoje é dia 1 o blogger vai mentir colocando o meu nome na assinatura.

Acabei de encontrar na 'net o tal poema (está em imensos locais... não revelo as palavras que usei para o encontrar... e até descobri alguém a declamá-lo! ;). O confrade-mor atestou da qualidade poética para integração nesta Aragem, hoje fortemente adubada com o meu singelo e estranho contributo...

Sei que logo logo alguém vai conseguir elevar acima do solo a escatologia das palavras aqui partilhadas neste momento. Mas embora a agricultura seja uma coisa que começa rente ao chão... sem estrume não pode dignar-se a olhar o céu.
Uma boa Páscoa para todos!

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O Texto é dedicado a Leovigildo Queimado Franco de Sousa, na época, Ministro da Agricultura, e antepassado da actriz portuguesa Barbara Norton de Matos. O Texto é fundado nas queixas dos agricultores.
http://osveencidosdavida.blogspot.com/2008/01/salazar-o-outro-retrato.html



Porque julgamos digna de registo
a nossa exposição, senhor Ministro,
erguemos até vós, humildemente,
uma toada uníssona e plangente
em que evitámos o menor deslize
e em que damos razão da nossa crise.
Senhor: Em vão, esta província inteira,
desmoita, lavra, atalha a sementeira,
suando até à fralda da camisa.
Falta a matéria orgânica precisa
na terra, que é delgada e sempre fraca!
- A matéria, em questão, chama-se caca.


Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.


Se os membros desse ilustre ministério
querem tomar o nosso caso a sério,
se é nobre o sentimento que os anima,
mandem cagar-nos toda a gente em cima
dos maninhos torrões de cada herdade.
E mijem-nos, também, por caridade!


O senhor Oliveira Salazar
quando tiver vontade de cagar
venha até nós solícito, calado,
busque um terreno que estiver lavrado,
deite as calças abaixo com sossego,
ajeite o cú bem apontado ao rego,
e… como Presidente do Conselho,
queira espremer-se até ficar vermelho!


A Nação confiou-lhe os seus destinos?…
Então, comprima, aperte os intestinos;
se lhe escapar um traque, não se importe,
… quem sabe se o cheirá-lo nos dá sorte?
Quantos porão as suas esperanças
n’um traque do Ministro das Finanças?…
E quem vier aflito, sem recursos,
Já não distingue os traques dos discursos.
Não precisa falar! Tenha a certeza
que a nossa maior fonte de riqueza,
desde as grandes herdades às courelas,
provém da merda que juntarmos n’elas.


Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.


Adubos de potassa?… Cal?… Azote?…
Tragam-nos merda pura, do bispote!
E todos os penicos portugueses
durante, pelo menos uns seis meses,
sobre o montado, sobre a terra campa,
continuamente nos despejem trampa!
Terras alentejanas, terras nuas;
desespero de arados e charruas,
quem as compra ou arrenda ou quem as herda
sente a paixão nostálgica da merda…


Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.


Ah!… Merda grossa e fina! Merda boa
das inúteis retretes de Lisboa!…
Como é triste saber que todos vós
Andais cagando sem pensar em nós!
Se querem fomentar a agricultura
mandem vir muita gente com soltura.
Nós daremos o trigo em larga escala,
pois até nos faz conta a merda rala.


Venham todas as merdas à vontade,
não faremos questão da qualidade.
Formas normais ou formas esquisitas!
E, desde o cagalhão às caganitas,
desde a pequena poia à grande bosta,
de tudo o que vier, a gente gosta.
Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.

João Vasconcelos e Sá (será?)

1934



http://cgmkt.wordpress.com/2008/11/23/poema-a-ministro-de-salazar/
http://senderosdereflexao.blogspot.com/2008/10/poema-dirigido-um-ministro-de-salazar.html
http://ferrao.org/2008/09/dom-tranquedo-pedido-de-adubos.html
http://opafuncio.blogspot.com/2008/09/exposio-sindical-em-tempos-de-salazar.html
http://hortademilfontes.blogspot.com/2008/02/h-falta-de-adubo.html
http://www.misturagrossa.net/index.php?s=reina%C3%A7%C3%A3o
http://seralentejano.wordpress.com/2008/02/20/no-tempo-do-salazar/

etc. ...

Difícil e fácil...

É mais difícil ser livre do que puxar uma carroça.

Vergílio Ferreira

(Roubado AQUI)

Sábado, Março 28

O poder do exemplo

“No printed word, nor spoken plea
can teach young minds what they should be.
Not all the books on all the shelves –
but what the teachers are themselves.”

Rudyard Kipling

Ouvido em:

Domingo, Março 1

O Céu.

Não devemos dar ouvidos

Aquele casal de 85 anos estava casado já há sessenta e dois.
Apesar de não serem ricos viviam bastante bem porque eram muito poupados.

Apesar da idade estavam ambos em muito boas condições físicas principalmente pela insistência dela na alimentação saudável e na manutenção em ginásio, em especial, durante a última década.
Mesmo com tão boa forma, um dia, numa das raras saídas para férias, o avião onde seguiam despenhou-se e mandou-os para o Céu.

Chegaram às portas rebrilhantes do Céu e São Pedro veio recebê-los à porta.
Levou-os até uma fantástica mansão, com móveis dourados e cortinas de finas sedas, com uma cozinha completamente fornecida e uma cascata na sala de banho. Ao fundo podia ver-se uma criada a arrumar as roupas favoritas de ambos nos imensos roupeiros. Eles olhavam para tudo
atónitos quando São Pedro disse:

- Bem vindos ao Céu. A partir de agora esta será a vossa nova casa.

O idoso senhor perguntou a São Pedro quanto é que aquilo iria custar.

- Claro que vai custar NADA. Isto é a tua recompensa no Céu.
O homem então olhou pela janela e viu um campo de golf que não tinha comparação com nada, do melhor, feito na Terra...
- Qual é o preço da utilização? - gemeu o idoso homem.
- Isto é o Céu - replicou São Pedro. - Tu podes jogar de graça, sempre que quiseres.

No dia seguinte foram almoçar ao salão e depararam-se com um almoço estonteante, com todas as inimagináveis especialidades gastronómicas, desde mariscos até às melhores carnes e sobremesas, tudo acompanhado dos melhores vinhos e bebidas.
- Nem me perguntes nada - disse o São Pedro ao homem. - Isto é o Céu. É tudo de graça.
O idoso senhor olhou em volta nevosamente e fixou o olhar na esposa.
- Bem, onde é que estão as comidas de baixo teor de gordura e colesterol e o chá descafeínado? - perguntou ele.
- É a melhor parte - atalhou São Pedro. - Vocês podem comer e beber o que quer que seja que gostem sem se preocuparem em ficarem gordos ou doentes. Eu já disse: isto é o Céu!

O idoso ainda perguntou:
- Nem é preciso ginásio?
- A menos que vocês queiram - foi a resposta de São Pedro.

- Nem testes de açúcar, nem medições de tensão, nem...

- Nunca mais. Vocês estão aqui para se divertirem e gozarem.

O idoso olhou bem de frente para a sua esposa e disse:

- Tu e a merda dos Corn Flakes... Já podíamos estar aqui há dez anos!

Segunda-feira, Fevereiro 23

A luta, as consequências e as leituras. Ou "O velho, o rapaz e o burro", parte 2

Recebi por email. A partilha não obriga ninguém a nada... pode provocar discussão. E isso não será tão negativo que a impeça, digo eu...
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A LUTA DE BRAÇOS CRUZADOS
Muitos professores decidiram não entregar os objectivos individuais, alegando nunca é mencionada essa entrega como um dever dos professores. Permitam-me discordar: tal não é um dever, é um direito. Os professores têm o direito de definir os seus objectivos, e preferiram declinar esse direito. Os resultados a curto prazo não se farão sentir: o director da escola definirá os objectivos para esses docentes e a avaliação continuará. A longo prazo poderemos perder esse direito, e porque nos foi atribuído e não quisemos usufruir dele, no futuro esses objectivos passarão a ser definidos pelos órgãos de gestão… Se o vosso director não for uma pessoa razoável, terão de acatar os seus objectivos com os quais poderão eventualmente não se identificar e sem possibilidade de reclamação!
Os professores decidiram não pedir aulas assistidas. Como resultado a curto prazo não se pode esperar nada: tudo vai decorrer tudo na maior normalidade, não haverá ainda mais excesso de trabalho, excesso de burocracia, excesso de papelada e, ironicamente, a avaliação até parecerá que é exequível. Como resultado a longo prazo espera-se que a senhora ministra no final do ano proclame "apenas 10% dos professores requereram aulas assistidas" e o impacto na opinião pública será: "continuam uma cambada de preguiçosos privilegiados, que não querem fazer nada, nem têm brio profissional - desde que não tenham trabalho, contentam-se pelo bom".
No final do ano lectivo todos os docentes serão avaliados e terão uma nota, pois apesar de não terem entregue os objectivos individuais terão de preencher a ficha de auto-avaliação, uma vez que essa, sim, é um dever dos professores.Tendo em conta o reduzido número de professores que pediu aulas assistidas as quotas, obviamente, não serão preenchidas. A conclusão será: os professores fartaram-se de reclamar por causa das quotas e afinal nem as preencheram! A maioria dos docentes optou por esta luta de braços cruzados, a luta do "não concordo e então não faço nada".A decisão mais inteligente seria a luta do "vou fazer tudo e mostrar que, apesar de todo o esforço e empenho, este sistema não é exequível". Não será difícil de imaginar que, se todos pedissem aulas assistidas, o que só por si iria causar inúmeros transtornos a nível de organização das escolas, se todos reclamassem da classificação atribuída - em primeira instância na própria escola e para a CCAD, cem ou duzentas reclamações para serem decididas em 15 dias, podendo ainda reclamar-se para o Director Regional, milhares de reclamações para serem decididas em 10 dias - instalar-se-ia o caos e assim se mostraria que este sistema é impossível. Nada fazendo, que provaremos? Então, porquê esta opção pela luta de braços cruzados? Na maioria das escolas, quem a liderou foram os avaliadores, pois sentiam-se muito angustiados com o facto de ter de avaliar colegas, mas quando concorreram para professores titulares (ninguém os obrigou) sabiam que teriam de avaliar, quando aceitaram as comissões de serviço (ninguém os obrigou…) sabiam que teriam de avaliar; arranjaram, assim, uma maneira de, não só evitarem avaliar como de parecerem heróis na liderança da "luta contra o sistema". Para conseguirem tal, muitos deles coagiram directa (dizendo alto e bom som na sala dos professores que quem pedisse aulas assistidas iria ser lixado) ou indirectamente (há maneiras muito subtis de coagir) os avaliados a não pedirem aulas assistidas.
Os docentes que pediram aulas assistidas estão agora a ser apelidados de oportunistas: oportunista é uma pessoa que se aproveita da desgraça dos outros em proveito próprio. Que desgraça? O não terem pedido aulas assistidas não podendo por isso ter muito bom ou excelente? Mas não o fizeram de livre e espontânea vontade? Nas sociedades democráticas, as pessoas são livres de tomar decisões e, mais importante ainda, têm o direito de ser respeitadas pelas mesmas. Coacção é o método preferencial utilizado nas ditaduras…
Falando em oportunismo, não foram os avaliadores oportunistas quando aceitaram os cargos e as regalias, nomeadamente as monetárias? Se desde sempre tencionavam não cumprir parte dos deveres inerentes ao cargo… Claro que os avaliadores não optaram pela luta do tudo fazer e depois reclamar, pois seriam eles na berlinda ao ter de deliberar em primeira instância sobre essas reclamações. Decidiram o que mais lhes interessava e os avaliados foram na onda.
Tudo isto tem servido para demonstrar o pior das pessoas: as qualidades primordiais de um professor deveriam ser a tolerância e o respeito pelos outros e não é isso que se verifica.
De momento, não sei se me orgulho de ser professor!
Um Professor que não cruzou os braços.- José Viriato


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