domingo, setembro 23

Raciocínio ao contrário

Como fiquei um pouco confusa - o primeiro mail dizia que eu estava encarregue de provocar a discussão de 17 a 30 de Set. mas um post recente diz que a bola afinal é do Miguel - e como isto de vos acompanhar até me deixa nervosa............ deixo-vos um raciocínio ao contrário e depois logo vemos o que lhe fazemos:
- deixamo-lo estar quieto
- apagamo-lo e reabilitamo-lo quando for a minha vez
- agarramos nele e, de uma vez por todas, se percebe se eu tenho ou não perfil para a "coisa".

Ora bem, os temas que proponho são "Avaliação de Aprendizagens" (semana 1)e "Educação e Tecnologias" (semana 2). Perdoem-me a sua aparência pouco polémica e pouco política mas, das duas uma, ou é um efeito da minha distraída personalidade ou é uma consequência dos meus apenas 14 anos de carreira entusiasta, 11 deles já como PQND.

1º post - RACIOCÍNIO DE PERNAS PARA O AR ou Da avaliação de professores aos Resultados escolares e dos resultados escolares à avaliação das aprendizagens.
Como perceberam talvez pela leitura de outras coisas que fui dizendo pertenço, desde há cinco anos, ao quadro de uma das 22 escolas que assinaram há dias o CA. Resultado de um processo de Avaliação Externa no qual participei como Membro da Assembleia e Coordenadora do Departamento. Fora isso, de outras formas mais sinto que tenho contribuído para a melhoria do desempenho da escola em geral. Desta e de outras por que passei. Mas nesta senti e sinto que sou avaliada. É verdade. Já estou como os meus alunos: sinto sempre que estou a ser avaliada ;-) Além disso, há a particularidade de leccionar uma disciplina sujeita a exame nacional. Ou seja tenho os olhos em mim e não me importo nada ;-) Também não me importo de ser avaliada. Só quero saber como e por quem. Mas essa é uma conversa a que vos convido a voltar noutra altura.
Pensemos, então, num dos diversos indicadores do bom desempenho profissional dos professores, os resultados escolares e, a esse propósito, reflictamos como é que, afinal, professores que serão avaliados por um mesmo conjunto de critérios fazem a avaliação dos seus alunos.
Se pensarmos que há todo um quadro legislativo que define os pressupostos dessa Avaliação e que, em principio, todos nos regemos pela mesma batuta, dir-me-ão que não percebem qual o problema, qual a polémica. Está tonta a rapariga!
Pois, mas agora imaginem que todos os anos, quando chega um professor novo à minha Escola já sabemos que temos de "o preparar" e ajudá-lo a perceber que: não temos pesos, não fazemos testes, não há toques de campainha a marcar o fim, não há grelhas de marcação de testes para o ano todo; há equipas de professores de LP, Hist e Geog, por exemplo, que preparam e aplicam a mesma prova, sim a mesma, para aferir competências e a integração de saberes e que as competências transversais são tão importantes, ou quase, como as essenciais em cada área disciplinar.
Isto que nós fazemos é sempre tão diferente de tudo quanto o "colega novo" terá feito que seja ele mais ou menos novo em idade - e não em tempo de serviço - que é vê-lo até meio do ano meio zonzo :-) (o meu primeiro ano foi bem difícil e olhem que ritmo de trabalho sério já eu tinha).

A este propósito, e porque vou lendo inúmeras coisas sobre Avaliação (uma área em que a formação profissional dos docentes, inicial ou contínua, me parece deficitária), preparei este ano um pequeno documento que não cheguei a "impingir" à chefia. Dei comigo a pensar: "Será mesmo necessário frisar estas coisas?". Mas dou comigo a pensar que sim, que é, que nunca é demais. Que nunca é demais querermos melhorar a forma como avaliamos se queremos melhorar a forma como ensinamos e o tais ditos resultados escolares que, afinal, vão ser tão importantes na nossa avaliação (entre outras "cositas mas").

E o que diz o doc.?
Faço um resumo. É uma adaptação do inteligente documento
“Making Assessment for Learning Work in Your Classroom: Practical Strategies for Enhancing Student Learning” de Barry Hoonan, disponível em www.k12.wa.us/conferences/summerinstitute2005/materials/HOONANMAKING.doc).

Começa com a frase:

Não se engorda um porco pesando-o.” de Tim Wragg da Exeter University.
Recorda-nos que:
A Avaliação Formativa consiste em:
1. Envolver os alunos na sua própria aprendizagem;
2. Partilhar os objectivos de aprendizagem com os alunos;
3. Envolver os alunos na auto-avaliação;
4. Realizar questões eficazes;
5. Fornecer feedback que leve os alunos a reconhecer os próximos passos e como realizá-los;
6. Ajustar o ensino de modo a ter em conta os resultados da avaliação;
7. Fundamentar a instrução acreditando que todos os alunos podem melhorar.
E terminar por recomendar os meus queridos Black &William.
Deixo as referências:
Black, P., & Wiliam, D. (1998a). Assessment and classroom learning. Assessment in Education, 5, 7-74.
Black, P. & William. D. (1998b). Inside the black box: Raising Standards through classroom assessment. Disponível em http://www.pdkintl.org/kappan/kbla9810.htm Consultado a 16 de Junho de 2005.)

E deixo as perguntas:

- De que modo subsistem práticas avaliativas diferentes no nosso sistema?
- Como se articulam essas diferenças com a aferição de resultados?
- Como é que os produtos de processos tão distintos contribuem para uma avaliação séria na perspectiva dos resultados de quem, afinal, comanda a avaliação, o professor?
- O resultados fala-nos de quê afinal: de um processo, de um produto momentâneo?
- Que resultado? O do exame? Teremos então exames a todas as disciplinas uma vez que vamos avaliar todos os professores?

Fica a proposta. Tenham uma boa semana!

6 comentários:

JMA disse...

Professor que nunca deixa de ser aluno, ensaia a resposta breve às perguntas da nossa querida animadora:
1)Há, obviamente, práticas avaliativas muito heterogéneas no nosso sistema e inclusivé em cada umadas nossas escolas. O nosso grande objectivo deverá conhecê-las (as que estão na nossa escola), debatê-las, confrontá-las, aprender com essa diversidade. A meu ver, teremos de resitir à padronização e aprender com a diferença;

2) Os resultados têm de ser plurais. Resitir tb a confundir os resultados dos exames com os resultados educativos. Há pelo menos 3 categorias de resultados (que tenho desenvolvido no Terrear) ligados à instrução, à socialização e estimulação. Assim, num processo de aferição ter-se-á de consierar o leque e até admitir que há domínios não passíveis de aferição (também não é este o objectivo da escola...)

3) A riqueza das escolas está muito mais do lado da diversidade de práticas, de processos, de experimentações do que da uniformidade. Teremos de o saber e evitar que a avaliação dos docentes nos subjugue com a 'chapa 5'.

Parabéns pelo excelente início.

Sober a Ordem (e a sua des ordem) escreverei mais tarde.

Prof. Teresa disse...

A melhor parte da pergunta pode ser a resposta. Parabéns (e obrigada) pela resposta :-)

JMA disse...

PS ao 1º comentário: afinal sobre a Ordem já escrevi quase tudo (não em termos finais, mas propedêuticos)

3za disse...

Teresinha, uff!!! A tua pedalada, entusiasmo e alegria e seriedade são especiais... Como o tempo é escasso, não perderei pitada nas leituras, mas terei de ser comedida nas escritas. Parabéns pela tua intervenção... tanto que me revejo em tanta coisa... tanto que pratico, tanto que tenho lutado pelo direito à diferença fundamentada. Mas, enfim, caminha-se devagarinho... pelo menos aqui...

henrique santos disse...

Teresa
o teu resumo despertou a minha curiosidade. Será que posso ter acesso ao teu documento sobre avaliação que referes?
Fui também à tua página web que desconhecia e gostei muito. Parabéns.

Prof. Teresa disse...

Obrigada 3zinha e obrigada Henrique. H., já te respondi por mail :-)