quarta-feira, setembro 10

Tudo Acontece por Bem (?)

"O extraordinário contador de contos e íntimo amigo Paco Abril falou-me uma vez de um rei que tinha uma interminável corte de assessores. Um deles distinguia-se porque, depois de cada acontecimento, apostolava de forma inexorável: "Tudo acontece por bem". Um dia, o rei partiu um braço. Os assessores pensaram que essa seria a ocasião propícia para que o companheiro optimista perdesse os favores do monarca. De facto, quando o rei se encontrou com o seu assessor predilecto, este perguntou-lhe:

- Majestade, que aconteceu?

- Uma queda desafortunada provocou-me a fractura do braço e tenho umas dores horríveis.

- Tudo acontece por bem, Majestade, disse o assessor.

Essas palavras provocaram a ira do rei, que o encerrou imediatamente nas masmorras do palácio. Alguns dias mais tarde, o rei saiu de passeio a cavalo. Perdeu-se. Caiu em mãos de uma tribo de antropófagos. Decidiram condená-lo à morte e comê-lo. Quando estavam prontos para o sacrificar, o feiticeiro da tribo disse:

- Não podemos comer o rei. O seu braço não está bom. Se o fizermos, podemos morrer.

O rei foi libertado. Graças à rotura do braço, salvou a sua vida. Regressou ao palácio e dirigiu-se, sem perder tempo, à cela do assessor prisioneiro. Contou-lhe o que tinha sucedido.

- Tens que me perdoar. Tinhas razão. O braço ferido salvou-me a vida. Mas para ti não foi negativo, uma vez que foste preso. Sinto muito. És livre outra vez.

- Também para mim foi positivo. Porque se não tivesse estado na prisão, teria saído de passeio a acompanhar, como sempre, sua Majestade. Os membros da tribo, ao ver que o meu braço estava bom, ter-me-iam comido."


(a partir de MSGuerra)

3 comentários:

IC disse...

Ao longo da vida (já muito longa) fui percebendo pelo menos alguma verdade em "tudo acontece por bem". Quantas vezes os males se vêm a revelar como tendo sido necessários para que se evolua, para que se cresça, também para que se aprenda...?

Matilde disse...

Também a mensagem que comentário que o Miguel, o nosso confrade-mor, me deixou no blogue foi por bem... (uuups!) já que finalmente a vergonha foi suficiente para vir aqui deixar um olá. ;)

Tenho andado pouco pela blogosfera. O Canto tem andado também um pouco "num canto de mim" e poucas vezes "lá chego com a vassoura" ;).
Ainda há pouco me perguntava, enquanto lavava a loiça do jantar, a razao que nos faz escrever mais ou menos no blogue. Confesso que não descobri... mas talvez, no meu caso, não haja mesmo razão concreta. É conforme me dá na "telha" e simplesmente tem-me dado pouco.
Mas vou andando por aqui. E sim, acho que este espaço deve continuar. O nosso espaço. O espaço de todos os que aqui passam. Um espaço à nossa medida - de cada um de nós. :)

Até porque... também o Aragem aconteceu certamente por bem. :)

JMA disse...

A vida tem-me ensinado que há muitas coisas à primeira vista más que afinal se revelam portadoras de efeitos benéficos...
Sem exagerar nem generalizar, obviamente. Mas é o olhar do observador que muitas vezes cria a realidade...