domingo, abril 23

Blogues de professores

A propósito da entrada anterior da TLopes, acrescento esta brilhante reflexão da Adriane.

Professores em blogs: identidades em fluxo
O corpo de alguns docentes, escamoteado, esquecido por muito tempo pelas teorias educacionais, encontra, nos blogs, espaços e formas de expressão, onde pode construir uma outra forma de identidade.Mas será que este corpo permanece fechado em um aparato técnico?Como a blogosfera é uma esfera que se relacionam com tantas outras (no ciberespaço e fora dele) em forma de rede, retro-alimenta uma identidade mutante.Mas será que essa identidade é a mesma que se mantém no contexto educativo do professor? Será que o contexto educativo também é mutante? Será que a escola vê o blog como um espaço educativo?A identidade do sujeito é intimamente relacionada à reflexão desenvolvida por este sujeito em seu blog. Ali, junto de suas reflexões, vai se dizendo, se mostrando, de acordo com um quadro de valores que, através do movimento da escrita, (re)pensa sobre seu lugar social, sobre quem é e o que faz, os lugares que transita.Porém o ‘corpo’ ali apresentado aparece sob a descrição que o sujeito quer dar a si (em um movimento intencional ou não), como uma espécie de performatização.Esta identidade também é mutante, a medida que se refaz nas interações com outros sujeitos e realidades possibilitadas pela realidade digital da blogosfera. Ao mesmo tempo em que é uma potencialização do corpo é uma desnaturalização, é o sujeito fora de seu corpo, apresentando-se com a roupagem de suas palavras em uma interface gráfica digital. Estigmas e marcas do corpo deste sujeito (corpo que aprende com o sujeito e se forma junto dele) podem ser apagadas a medida em que não se fala delas. Pode-se dar mais valor a certas características (corpóreas, intelectuais...) que um olhar rápido ao sujeito não veria.É com essa imagem construída que o sujeito se relaciona.O blog também é um objeto de memória, o que propicia que a imagem do sujeito possa ser revisitada pelo olhar do outro que não fez parte da história desta construção.Porém, essa construção não é totalmente intencional: ela muitas vezes foge ao controle do sujeito que se constrói. Isso por que o sujeito não se constrói sozinho, e sim na/da relação com os outros, com os espaços, com os fatos. Quando a imagem construída não é mais agradável ao sujeito, ele pode “trocar de roupa”, extinguindo um blog (ou não) e começando a montar outra imagem em outro blog, desta vez nu e agregando a si novas roupagens.Este movimento, fluxo, agiliza as passagens os intercâmbios, as reflexões deste sujeito que aparece em uma esfera do ciberespaço, relacionado a muitos outros, para se fazer um sujeito em construção preocupado com sua prática pedagógica, colocando esta, por sua vez, também em uma constante reconstrução.”

8 comentários:

3za disse...

Interessante ponto de vista... Lembrou-me a Emília do Netescrita (em conversa cara a a cara)quando dizia que não entendia a insistência do "bloguista" em se manter como uma personagem mais ou menos anónima e escondida, sem assumir o seu nome, a sua localização no espaço ou no tempo. Entendo que isso poderá dar mais "liberdade" para a expressão de tudo o que se relacione com o local de trabalho sem ferir susceptibilidades... mas não sei se será essa eventual reconstrução do real a verdadeira força. Ela é, sim, atraente, de certa forma mística, porque nos dá espaço para imaginar o que não se sabe sobre o outro do outro lado. Todavia, penso que podem e devem coexistir as duas, e a clara identificação do indivíduo acaba por ser um exercício de responsabilidade em que assume quem é, o que é, como pensa e... havendo naturalmente testemunhas, elas podem vir dizer se sim se não a pessoa criada é a pessoa real na vida, ou pelo menos percepcionada como real pelos que convivem com ela. Acho que já me perdi algures, mas não faz mal. Este não é um tema simples nem propício a um discurso muito coerente. Ainda só experimentei um dos lados - o da exposição (em que alunos, seus pais, colegas, amigos sabem que estou ali e podem facilmente contrapor, reforçar, contrariar. Talvez isso consiga oferecer uma imagem de conjunto que ganhe consistência junto dos bloguistas que não conhecem aquela que escreve (a Teresa Lopes é o caso oposto, em que o conhecimento preexiste à escrita do blog). Mas não nego, com esta minha alma cheia de magias por explorar, a sedução (tentação) de vos aparecer por aí vestida de outra forma, não identificável, construindo uma personagem misteriosa e inalcansável. (O tempo é que não me chega :). Seja como for é um mundo fascinante, com mais ou menos nomes, mais ou menos realidade e gosto de fazer parte dele. O balanço dos poucos meses é muito positivo...

Miguel Sousa disse...

Apesar de concordar com o interesse que este ponto de vista aflora, sou tentado a olhar para o meu umbigo e vos alertar que o corpo, ou a imaghem do professor bloguista pode não ser, porque nem sempre tem esse objectivo, cuidada. Falo por mim que sou aqui um pouco diferente do que sou com os meus alunos, ou na escola. Aqui sou mais cinzento, mais crítico. Lá sou mais alegre e tento contaminar pela positiva os alunos, os colegas e todos os que andam à minha volta. Faço-o porque sinto a necessidade de os empurrar para fora de um espartilho, no qual já estou preso e que demonstro nos meus textos.

è importante que se entenda que este espaço, está o indíviduo antes do professor (ou pode estar, pois outros, por amor à causa preferem continuar professores).

IC disse...

Eatão analisando a blogosfera no seu todo?? Uiii! Ó Miguel (Pinto), isso não ficava melhor no OutrÒÓlhar? Hoje sopra aqui coisa complexa demais para "aragens leves e frescas"... ;)
Bem, agora são horas de eu ir aterrar na escola.

Miguel Pinto disse...

:)) Ficava melhor no outròólhar… pois é… mas como sou o administrador [e já viste a pinta do nome ;)] desta tertúlia cabe-me limpar as teias de aranha [esta da teia não é nenhuma indirecta à TMarques :))] que nos entopem os filtros. eh,eh, Ó Isabel, que grande nó…

3za disse...

:)

AnaCristina disse...

De facto, algo que nunca entendi é o porquê do anonimato dos "bloguistas"... até resolver fazer um blogue (que já desapareceu!) com os meus pensamentos mais íntimos, mais duros, mais frágeis... E nessa altura fez todo o sentido "ser outra pessoa" que não a anacristina que visita os blogues.

Relativamente ao que se mostra de nós num blogues... confesso que se conheço um blogue há pouco tempo, não fico com uma opinião daquela pessoa que escreve mas se o faço com frequência, mesmo não comentando, aos poucos começo a entender e a imaginar o rosto por detrás da escrita. E ao fim de algum tempo, até considero aquele "bloguista" um amigo, uma parte de mim, sem a qual eu não vou pra cama sem ler sejam as horas que sejam...

Mas como a Teresa falou num post lá atrás o que interessa mesmo é a comunicação existente entre as pessoas, as discussões de ideias, a troca de informação...

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

Petição Por Esmeralda

Diziam os antigos, e sabiamente: “parir é dor, criar é amor”.

A Esmeralda sabe muito bem o que significa a palavra amor. Felizmente, e apesar das suas origens tão atrapalhadas, foi abençoada pelo amor e carinho de um casal, a que o destino roubou a possibilidade de gerar um filho natural.

E esse casal, antes de algo mais, entregou-se à missão de a criar, amar e educar, tarefas que nunca hesitaram aceitar, confrontados pela situação duma menina em dificuldades por uma mãe sem posses e abandonada pelo pai que só o quis ser depois de chamado pelas autoridades.

Agora, estão a tirar à Esmeralda esse amor que conheceu desde sempre, o único que durante muito tempo lhe quiseram dar, o único que conheceu, mas também o maior, o completo, o total.

Sabendo do passado desta menina, que conheceu um pai e uma mãe, uma família, um projecto de vida …

- Poder-se-á acreditar na transformação radical que alguns dizem que assumiu?
- Como é que esta menina viverá, forçada a ignorar a mãezinha e o paizinho?
- Como é que esta menina pode ser feliz apagando todas as memórias boas que viveu?
- O que é que se está a fazer com esta menina?
- Como é que alguém pode avaliar o bem estar da Esmeralda numa situação de ruptura total como a que está a acontecer por estes dias?
- Estar-se-á a castigar esta menina, condenando-a a pagar com sofrimento uma pena que querem aplicar aos pais afectivos?

Esta petição tem por finalidade pedir a todos que, pelo menos por um minuto, fechem os olhos, se recriem nesta história, e olhem à sua volta, procurando noutras crianças de 6 anos, a mais improvável possibilidade de um momento para o outro deixarem de gostar de um pai e de uma mãe e passarem a gostar de uns novos.

Pensem também os Pais de uma criança de 6 anos que agora lha tiravam e não a deixavam consigo contactar. Pensem, mas pensem não no vosso sofrimento, mas no da criança.

Será possível? O que é que está a acontecer a Portugal?

Seremos todos responsáveis pela nossa inércia. Porque o que é desumano tem que ter resposta. E nenhum de nós pode ficar imune e quieto.

Por favor, reaja, junte a sua assinatura a esta petição; vamos despertar consciências e pôr este país a reflectir no que de verdadeiramente assustador e quem sabe, irremediável, poderá estar a acontecer à Esmeralda.

Um dia a mais é mais um dia de sofrimento atroz.

Por favor, envie esta mensagem a todos os seus contactos.

Contamos consigo.

Em petição.pt