segunda-feira, março 12

Falemos de coisas sérias

Tive hoje uma consulta com uma médica homeopata. Entre outras questões discutimos a importância de saborear o aqui e agora, procurando não sofrer por antecipação. Fiz-lhe ver que sim, senhora, que eu já consigo fazer esse trabalho, mas que há dias em que o esforço é redobrado, gastando muito mais das minhas energias do que deveria. Saí da consulta com o ânimo elevado, reforçado.
Daí que, ao ler o Correio da Educação, nº 289, tive oportunidade de pôr em prática os sábios conselhos da minha médica, enquanto me inteirava que o ministério da educação (com letra pequena) já colocou no seu site as regras para acesso a professor titular, apesar das negociações com os sindicatos ainda não terem terminado e apesar do futuro Decreto-Lei ainda ser só isso: futuro.
Deliciei-me com o artigo de Antero Afonso, do mesmo Correio, que partilho convosco:

Pensamentos incompletos
Ainda fico sem a minha filha
Antero Afonso

Estive a ler o projecto que regulamenta o 1.º Concurso para professores titulares, quer na versão de 21/2, quer na de 5/3 e reforcei a minha convicção de que há défice de sensatez, de inteligência e de sentido de pudor, nos gabinetes da Educação.
Ou, então, há um profundo sentido de humor, que os rostos dos titulares não nos permitem perceber.
O meu passado, à luz do referido projecto, desaparece por deliberação dos dirigentes do Ministério da Educação. Antes de 1999, eu não existo. Como professor, entenda-se.
Fico na dúvida se o absurdo consiste em alguém me retirar o passado ou em eu o querer reclamar.
É uma espécie de grito que cresce dentro de mim.
Receio que o Ministério que tutela as famílias se lembre de estipular que a paternidade só vale a partir do mesmo ano.
Fico sem a minha filha!


Tenham um bom dia e... não sofram por antecipação! O Olimpo é só para os deuses.

Teresa Lobato Lopes
Azeitão

2 comentários:

3za disse...

Não sofrerei. Não sofrerei. Não sofrerei. :)
(Ainda bem que o Antero voltou às crónicas no CE...)
Beijinhos!

Felix disse...

É dificil não sofrer perante o sentimento de impotência e revolta que se apoderou da classe docente, perante a prepotência de quem decide dos nossos destinos e nos rouba metade da nossa vida.
Mas não vamos desistir já! E sobretudo tentemos não sofrer por antecipação.