quinta-feira, outubro 15

Da In/Disciplina na sala de aula - sugestão de leitura

Sugiro vivamente a leitura deste post do JMA, já que ele foi ultrapassado rapidamente por outros. Como o texto é longo, deixo uns pequeninos excertos para "abrir o apetite". (O primeiro, fora da frase completa, fica em jeito de título)

. como o estilo de comunicação e de ensino utilizado pelos professores na aula se pode tornar factor de indisciplina

. Para além das metodologias utilizadas, outros factores são importantes, tais como as posturas incorrectas do pro­fessor, incorrecta administração do espaço e do tempo, incapacidade de «testemunhar» o que se passa nos quatro cantos da aula, a má gestão das intervenções e dos estímulos à participação

. Estrela (1986: 152) verifica, por exemplo, que a maior parte dos comportamentos perturbadores se produzem quando o professor se revela incapaz de prestar atenção simultânea a duas ou mais situações diferentes

. Amado (1998), por sua vez, associa os «desvios à comunicação» por ele observados em aulas, aos momentos e situações em que:
- os alunos «de trás» (às vezes aí reunidos livremente) eram aban­donados à sua sorte;
- o professor se virava de costas para a turma a fim de escrever no quadro;
- o professor se alheava da turma e atendia a situações pontuais ou procurava algo;
- o professor decidia mudanças de actividade;
- os alunos acabavam a tarefa e permaneciam sem novas instruções;
- o professor tinha um discurso oscilante, como quando deixava um tema, iniciava outro e de repente, voltava ao anterior.


. Em suma, trata-se de um conjunto de situações já, em parte, identifi­cadas por diversas investigações como possuindo uma forte correlação com a indisciplina. Saliente-se que algumas destas situações foram clara­mente denunciadas pelos alunos como incompetências didácticas e facto­res da indisciplina.

. o professor não pode revelar incapacidade de exercer adequadamente o seu poder, manifestar falta de autoridade, de firmeza e de experiência

. os alunos esperam que os professores actuem com autoridade e poder dentro da aula. (...) O problema está na gestão desequilibrada dos poderes e na queda em extremos: autoritarismo de um lado e permissividade, do outro.

. A assertividade - Esta é a característica do professor que sabe fazer-se respeitar começando por respeitar os alunos, acredita neles e con­fere-lhes responsabilidades, censura e admoesta recordando a regra, tem em conta os comportamentos e não as pessoas (sem perder o humor, sem ser cínico, sarcástico ou ofensivo). (Este é o último parágrafo do post do JMA, o destaque é meu e desculpem o sublinhado, mas, a meu ver, é a característica sem a qual as outras de pouco ou nada servem, embora muito importantes se associadas com ela)

3 comentários:

olhardomiguel disse...

Um professor deve ser assertivo, a assertividade é “treinável”, a assertividade é sempre relativa. São 3 ideias que quero manter bem visíveis no meu diário de bordo.

tsiwari disse...

Criticar, procurando corrigir, comportamentos e não pesoas é uma ideia chave.


Bom texto do JMA. Boa pesca da IC.

:)

Vera Y. Silva disse...

Tudo isso é verdade, mas não se percebe a indisciplina enquanto se olhar apenas para os professores. É verdade que os professores devem ser assertivos, devem conseguir comunicar de modo claro, devem ser justos e imparciais, etc. Mas há muitos (mas não todos, claro) professores que fazem isso tudo e continuam a ter alunos indisciplinados. Um professor pode ser excelente e não conseguir dar uma aula como deve ser devido à indisciplina dos alunos.
Isso nunca aparece nos estudos e nas reflexões do Albano Estrela e demais defensores do "eduquês". E é espantoso como tantos professores que estão no terreno nunca acham relevante referir essa possibilidade.