sexta-feira, julho 2

O futebol entre o sagrado e o profano

Uma série de entrevistas de rua apresentadas por um canal televisivo privado dava conta de um conjunto de reacções à notícia da fuga do primeiro-ministro. Sem excepção, os entrevistados mostravam a sua indiferença pelo acontecimento, preferindo opinar sobre o Euro 2004. Nada de surpreendente. Não me proponho explicar as razões do divórcio entre eleitos e eleitores. Muito menos quero aclarar o fenómeno da sacralização do desporto de rendimento e, em particular, do futebol. O que me parece interessante destacar deste episódio é que ele configura uma face da relação promíscua futebol e política. Constatando o alheamento dos cidadãos à causa política, o futebol serve de interface subliminar das mensagens que se vão produzindo nos gabinetes do marketing político. Desde o Estado Novo que a instrumentalização do futebol tem ocupado as primeiras páginas da cartilha dos candidatos a cargos dirigentes.
O futuro primeiro-ministro(?) e ex-candidato a presidente da república sabe, como poucos, escorar-se no futebol.