Para analisar esta questão, procuro elencar alguns critérios/questões:
i) será que um número significativo de docentes quer mesmo aderir e pertencer a uma ordem profissional? Ou prefere ser antes funcionário às ordens superiores (neste caso do Minsitério)?
ii) Será que um número significativo de docentes tem a consciência de possuir a mesma identidade profissional, isto é, possui o mesmo código de referências científicas e pedagógica, o mesmo código de valores essenciais, a mesma visão da educação e da escola - dada a imensa heterogeneidade de formação inicial? (este enunciado não pressupõe o unanimismo, mas apenas um núcleo duro de referências fundamentais e identitárias, necessárias a uma ordem profissional)
iii) Será que um número significativo de professores está disposto a assumir a responsabilidade pela qualidade dos serviços que presta aos seus alunos, enquanto "clientes"/beneficiários?
iv) Será que está disposto a passar de uma lógica de obediência para uma lógica de responsabilidade?
v) Será que vai assumir a sua própria auto-formação contínua?
vi) Será que está disposta a vincular-se à autoridade dos seus pares?
vii) E será que a ordem teria o poder suficiente para aplicar um código deontológico que dignificasse a profissão em termos sociais?
viii) e menos importante, será que o ME e o Estado estão dispostos a outorgar o poder regulamentador, regulador e fiscalizador a uma Ordem?
A tendência das respostas é, a meu ver, negativa. E se isto for verdade não a pena sonhar com empreendimentos impossíveis.
PS: No plano do desejo pessoal eu gostaria de pertencer à ordem de professores. Contudo, realidade está muito longe de poder acolher o meu desejo.