terça-feira, outubro 13
Em Homenagem à IC
Ela é a responsável por estar a escrever estas palavras. Para dizer o quê? Penso na resposta. Hesito um pouco. Mas logo a mente se agita. Escrevo para dizer a necessidade de nos reinventarmos como pessoas e como professores. De nos reinventarmos numa profissionalidade exigente e solidária mas afastada do balido do rebanho. Para dizer que temos de fazer da profissão o "primeiro de todos os ofícios". O mesmo é dizer colocar os alunos em primeiro lugar no seu direito/dever de aprender as bases do ser, as bases da cidadania, da responsabilidade. Para dizer a urgência de reinventar a escola, necessária casa de humanidade, longe das montanhas de papéis, longe dos rituais burocráticos, longe do faz de conta, longe da irresponsabilidade.
Para dizer a imperatividade de uma outra política: que não deixando de ser exigente, não esqueça que as pessoas não podem ser sistematicamente desautorizadas. E que o centralismo burocrático é a mais perniciosa das ilusões.
sábado, outubro 11
As boas intenções e a crueldade das práticas
O JMA é um professor que me habituei a respeitar pela coerência das suas posições e pela generosidade das causas que defende. No seu blogue tem vindo a defender, nos últimos meses, uma posição de “aperfeiçoamento” do modelo de avaliação do desempenho docente (é este o nome de baptismo que o ministério da educação deu à classificação de serviço, vulgo notação de mérito, destinada a seriar professores e não a avaliar a qualidade do seu trabalho).
Por mais de uma vez critiquei esta atitude, a qual é também defendida por muitas almas generosas (geralmente benevolentes com o governo Pinto de Sousa), como é o caso da professora Carmo Cruz, que se assina Avó Pirueta.
De todas as vezes que exprimi a minha discordância em relação a estes colegas senti algum constrangimento, porque o respeito pelo seu trajecto profissional e pela generosidade com que partilham o seu saber e a sua experiência é enorme.
É ponderando tudo isto que resolvi hoje fazer referência à entrada do Matias Alves no seu blogue, sob o título A Blindagem do sistema de avaliação.
A leitura deste post, considerando as divergências que tenho assumido em relação à participação do Matias Alves no processo da classificação dos professores, leva-me a concluir que até para quem acredita na bondade das políticas educativas de MLR começa a ser difícil engolir tanto Sapo Centralista.
E digo-o na convicção de que o Matias Alves tem consciência de que a luta pela regulação das escolas é um combate decisivo nos próximos meses/anos. Nós sabemos que qualquer alteração significativa do sistema educativo, e da escola pública, passa por processos de dinamização da regulação local e socio-comunitária da educação. É por isso que o tom de lamento me parece ser o mais marcante, quando JMA escolhe um termo com BLINDAGEM para caracterizar a atitude que a DGRHE adoptou face ao controle da aplicação do dr 2/2008.
A dúvida que me fica é se o Matias Alves e muitos dos defensores da “avaliação 2/2008″ (sem a contextualização da prática governamental) acham que a culpa do falhanço fica no director da DGRHE, ou se também acham, tal como eu, que nenhum director geral decide políticas sem o aval dos secretários de Estado e dos ministros que os nomeiam e podem exonerar.