sexta-feira, agosto 21

Rir e Recordar

Para rir e recordar, num dos que, para mim (hum... apesar do nome da vaca), será um dos tantos bons momentos com que Raúl Solnado nos continua a presentear. Obrigada Sr. Raúl! :)

quinta-feira, agosto 20

Tens toda a razão, Miguel!

Toda a razão. Vou tentar redimir-me, partilhando algo que sei que nos interessa e que acabo de ver via Facebook:

Ou…

O Aragem está inerte, em estado vegetativo: Aqui e ali dá sinais de alguma vitalidade, mas regressa rapidamente ao seu estado letárgico. Já lhe perdi a conta mas foram várias as tentativas de reanimação, quase sempre graças à persistência da IC. Este cantinho da blogosfera, que já albergou bonitas tertúlias, não é mais do que um ponto de encontro, um local que revisitamos só porque nos aviva a memória. É isso, o Aragem é um baú de memórias… Por mim poderá continuar assim, desde que possa ser reanimado!...

Há instantes em que me apetece deixar alguns pensamentos soltos, ou apreciar um vídeo, ou dizer um olá, ou observar uma tela daqueles pintores que nos enchem a alma, ou entrar e sair só para rever o lugar, ou...

[gostava muito de indicar o local do qual eu retirei a imagem... :( ]

domingo, maio 24

Scratch Day

Já que a 3za abriu o apetite, agora fica também aqui o vídeo do decorrer do evento (para quem ainda não o tenha visto).

Aqui

sábado, maio 2

Articulação curricular – revisitar os fundamentos

Quando dizemos que a educação escolar visa a formação integral das crianças e jovens estamos a dizer duas coisas muito simples: 1. Que a personalidade é multilateral e harmoniosamente desenvolvida; 2. Que as disciplinas escolares cooperam no desenvolvimento dos diversos aspectos da personalidade.
A organização do sistema educativo, os conteúdos curriculares e os programas de ensino, devem estar devidamente articulados, direi, harmoniosamente articulados, porque se crê que a harmonia do sistema escolar é conexa à harmonia do desenvolvimento da personalidade das crianças e jovens.
É neste sentido que eu defendo que a articulação curricular está impregnada no meu conceito de escola. A articulação curricular não é mais do que uma forma de facilitar a assimilação de cultura às crianças e jovens e porque é uma forma de tornar mais eficiente o processo educativo. Mas convém relativizar a importância da articulação curricular no processo de formação da personalidade dos sujeitos:

  • Primeiro, porque as crianças e jovens têm uma palavra a dizer na sua própria formação, isto é, são sujeitos “activos. Quero com isto dizer que as crianças e jovens não são apenas objecto e produto das relações sociais e das actividades em que participam. São também sujeitos activos, actuantes e transformadores das suas circunstâncias.
  • Segundo, porque é possível o desenvolvimento da personalidade dos sujeitos sem um sistema educativo coerente e articulado. Recusar esta evidência é admitir que o sistema educativo português nunca educou. Recusar esta evidência é fazer-de-conta que a articulação curricular foi mais do que algumas experiências de colaboração avulsas, reguladas administrativamente, compulsivas e orientadas para a implementação de ordens superiormente determinadas.

A IC enfatizou, no comentário à minha entrada anterior, as possibilidades e dificuldades da articulação curricular. JMA considera que é necessário intervir a montante. Subscrevo os dois pontos de vista. Mas eu não sei a que "montante" se refere o JMA. Sei que a escola, como um espaço de ensino e aprendizagem, em qualquer área do conhecimento e da cultura, deve consubstanciar, antes de mais, um processo pedagógico de desenvolvimento da personalidade, tem de ordenar valorativamente as actividades escolares, já que são as actividades que suscitam a autonomia, um determinado grau de consciência e um determinado grau de criatividade às crianças e jovens.

O reino das articulações débeis num modelo escolar fabril

A Isabel em longo e pertinente comentário colocado na entrada anterior faz uma interessante reflexão e termina com 3 questões que nos devem fazer pensar. São difíceis as questões. Impossíveis, talvez, as respostas. Porque a matriz do modelo escolar, a sua gramática mais profunda funda-se na ideia matricial da desconexão, da separação, da clausura. Separam-se os conhecimentos, inventa-se o aluno para que pessoa se dissipe e melhor se afaste da família, separa-se o espaço, o tempo. As escolas são em larga medida aulários. Os espaços existem para separar (só o recreio permite a união!), os tempos também. As escolas são lugares de desencontros entre conhecimentos e pessoas.

E é porque esta gramática possui estas bases que é muito difícil a articulação do currículo, dos espaços, dos tempos, das pessoas.... A área escola (que era o dito pulmão da reforma curricular) morreu de inanição. A área de projecto tem dificuldade de afirmação. Isto não quer dizer que não se tenha de inverter a lógica de organização. Tem. Mas é necessário intervir a montante. Para que o esforço individual e colectivo tenha algum sentido e eficácia.

quarta-feira, abril 29

Articulação curricular.

1. Sou um adepto activo da articulação curricular porque o conceito está impregnado na minha concepção de escola e na minha percepção de profissionalidade docente.
2. À articulação curricular subjaz uma ideia de colaboração e de colegialidade. Não me refiro a uma colaboração qualquer, a uma colaboração que divide, a uma colaboração artificial típica da balcanização do ensino.
3. A articulação curricular não emerge por decreto ou por determinação superior. A articulação curricular resulta de uma cultura de escola assente na confiança nos processos e nas pessoas.

Pergunto se é possível uma articulação curricular genuína nesta escola fabril idealizada pela equipa governativa que prefere adoptar formas paternalistas de confiança?

sexta-feira, abril 17

Já pensaste que...

Já pensaste que...

Já alguma vez pensaste
que é bom ter olhos
para ver o mundo

e ouvidos
para ouvir os outros




e boca
para dizer tudo aquilo
que dizemos






e pernas
para nos levar
onde somos precisos







e mãos
para ajudar
os que delas precisam






e braços
para estreitar os outros
num abraço


e ombros
para que alguém neles
recline a cabeça fatigada





e cérebro
para pensar em ajudar os outros

e coração
para sentir as coisas
que nem sempre compreendemos
imediatamente.







Já alguma vez pensaste
como tudo isto é maravilhoso?
___________
Leif Kristianson
Via Clube dos contadores de histórias

sexta-feira, abril 10

Aprender e Ensinar

« 150 treinos mais 20 a 25 jogos por ano, de novo dispondo de total autonomia na direcção e condução da actividade, a significar terreno profícuo ao desenvolvimento, é no nosso olhar sobre o jogo que começa por ocorrer a mudança.
E o que começa a ocorrer, é que, progressivamente, o olhar na busca dos caminhos para ensinar, vai-se libertando da exclusiva conformidade com os conteúdos, para deslizar na identificação dos problemas que a situação de jogo colocava aos aprendizes.
Aprendemos a olhar não para o jogo, mas sim para o jogo que eles conseguiam jogar, focalizando o olhar nos expedientes de que se socorriam para resolver os problemas, para daí avaliarmos o nível de competência necessária para poderem ter êxito.
E fomos aprendendo que tínhamos de ser capazes de ver o jogo simultaneamente em duas dimensões. A dimensão real, que se traduzia naquilo que estava a acontecer, e a dimensão antecipativa, que se traduzia naquilo que deveria acontecer.
Situando-nos sempre entre o jovem e o jogo, fomos naturalmente percebendo que cabe a quem ensina adequar as condições de prática, quer às particularidades dos praticantes (competências que possuem), quer aos propósitos da aprendizagem (conseguir que joguem).
A experiência de Moçambique ensinou-nos a compreender que se aprende enquanto se ensina, e ensinou-nos a saber procurar mais com a aprendizagem do que com o ensinar.”

Hermínio Barreto (2004) Prontidão desportiva. Equilíbrio entre as capacidades de hoje e exigências de amanhã. In: Gostar de Basquetebol. Ensinar a jogar e aprender jogando (pp 19-20). Lisboa: Edições FMH.

Feliz Páscoa! ;)

quarta-feira, abril 1

... nunca precisámos de outra coisa!

Estive (sexta-feira passada) num jantar da minha antiga escola...
O António Pinto Basto (amigo de uma colega) foi o "animador"... cantando...
No final, alguém lhe pediu para recitar um "certo poema"...

Ele não se fez rogado... e é indizível a extraordinária forma como declamou esta peça de rústica e fedorenta poesia (atenção: fê-lo de cor, como intigamente!)... explicando-nos que o poema havia sido escrito pelo seu avô para um certo jantar onde iria estar presente o ministro da Agricultura de então (1934). Confesso que não acreditei... mas depois descobri o que vão escutar e acho que deve ser verdade...

Sim, eu sei, sou garota delicada e tal, dada a poesia refinada, muita cultura e borboletas, flores de jardins e coisas afins, mas... tenho o meu lado rabino, acreditem, embora o mantenha sob controlo. A verdade verdadinha é que chorei a rir (tenho de vos confessar esse pecado, meus caros confrades, não obstante toda esta minha refinada delicadeza que perdeu ali momentaneamente toda a sua compostura).
Devem ser os nervos, o stress e a falta de sorrisos pela escola... Uma certa urgência de rir... A culpa não pode ser minha. Estou certa. :)
Aliás... bem vistas as coisas não confesso nada e como hoje é dia 1 o blogger vai mentir colocando o meu nome na assinatura.

Acabei de encontrar na 'net o tal poema (está em imensos locais... não revelo as palavras que usei para o encontrar... e até descobri alguém a declamá-lo! ;). O confrade-mor atestou da qualidade poética para integração nesta Aragem, hoje fortemente adubada com o meu singelo e estranho contributo...

Sei que logo logo alguém vai conseguir elevar acima do solo a escatologia das palavras aqui partilhadas neste momento. Mas embora a agricultura seja uma coisa que começa rente ao chão... sem estrume não pode dignar-se a olhar o céu.
Uma boa Páscoa para todos!

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O Texto é dedicado a Leovigildo Queimado Franco de Sousa, na época, Ministro da Agricultura, e antepassado da actriz portuguesa Barbara Norton de Matos. O Texto é fundado nas queixas dos agricultores.
http://osveencidosdavida.blogspot.com/2008/01/salazar-o-outro-retrato.html



Porque julgamos digna de registo
a nossa exposição, senhor Ministro,
erguemos até vós, humildemente,
uma toada uníssona e plangente
em que evitámos o menor deslize
e em que damos razão da nossa crise.
Senhor: Em vão, esta província inteira,
desmoita, lavra, atalha a sementeira,
suando até à fralda da camisa.
Falta a matéria orgânica precisa
na terra, que é delgada e sempre fraca!
- A matéria, em questão, chama-se caca.


Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.


Se os membros desse ilustre ministério
querem tomar o nosso caso a sério,
se é nobre o sentimento que os anima,
mandem cagar-nos toda a gente em cima
dos maninhos torrões de cada herdade.
E mijem-nos, também, por caridade!


O senhor Oliveira Salazar
quando tiver vontade de cagar
venha até nós solícito, calado,
busque um terreno que estiver lavrado,
deite as calças abaixo com sossego,
ajeite o cú bem apontado ao rego,
e… como Presidente do Conselho,
queira espremer-se até ficar vermelho!


A Nação confiou-lhe os seus destinos?…
Então, comprima, aperte os intestinos;
se lhe escapar um traque, não se importe,
… quem sabe se o cheirá-lo nos dá sorte?
Quantos porão as suas esperanças
n’um traque do Ministro das Finanças?…
E quem vier aflito, sem recursos,
Já não distingue os traques dos discursos.
Não precisa falar! Tenha a certeza
que a nossa maior fonte de riqueza,
desde as grandes herdades às courelas,
provém da merda que juntarmos n’elas.


Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.


Adubos de potassa?… Cal?… Azote?…
Tragam-nos merda pura, do bispote!
E todos os penicos portugueses
durante, pelo menos uns seis meses,
sobre o montado, sobre a terra campa,
continuamente nos despejem trampa!
Terras alentejanas, terras nuas;
desespero de arados e charruas,
quem as compra ou arrenda ou quem as herda
sente a paixão nostálgica da merda…


Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.


Ah!… Merda grossa e fina! Merda boa
das inúteis retretes de Lisboa!…
Como é triste saber que todos vós
Andais cagando sem pensar em nós!
Se querem fomentar a agricultura
mandem vir muita gente com soltura.
Nós daremos o trigo em larga escala,
pois até nos faz conta a merda rala.


Venham todas as merdas à vontade,
não faremos questão da qualidade.
Formas normais ou formas esquisitas!
E, desde o cagalhão às caganitas,
desde a pequena poia à grande bosta,
de tudo o que vier, a gente gosta.
Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.

João Vasconcelos e Sá (será?)

1934



http://cgmkt.wordpress.com/2008/11/23/poema-a-ministro-de-salazar/
http://senderosdereflexao.blogspot.com/2008/10/poema-dirigido-um-ministro-de-salazar.html
http://ferrao.org/2008/09/dom-tranquedo-pedido-de-adubos.html
http://opafuncio.blogspot.com/2008/09/exposio-sindical-em-tempos-de-salazar.html
http://hortademilfontes.blogspot.com/2008/02/h-falta-de-adubo.html
http://www.misturagrossa.net/index.php?s=reina%C3%A7%C3%A3o
http://seralentejano.wordpress.com/2008/02/20/no-tempo-do-salazar/

etc. ...

Difícil e fácil...

É mais difícil ser livre do que puxar uma carroça.

Vergílio Ferreira

(Roubado AQUI)