sábado, setembro 20

Há coisas que me continuam a causar espanto!

Estou a escrever pela primeira vez para o Aragem. Sou a Avó Pirueta, tão simplesmente. Tenho que começar por agradecer o convite para participar mas fico um tanto envergonhada com a saudação de boas-vindas com que o José Matias me apresenta. De facto, e muito sinceramente, fico sempre admirada por as pessoas darem tanta importância a pequenas coisas que faço. Por isso, queria desde já esclarecer quem me começar agora a conhecer que tudo o que tenho feito na minha vida, se ajudou outros, ajudou-me primeiramente a mim própria.
Não sou angolana, nem moçambicana, sou, antes de mais nada, uma cidadã do mundo que tem uma costela profundamente africana. Algo em mim me empurra para África e não há dúvida de que África exerce sobre mim uma atracção difícil de gerir.
Como Professora, pois vou sê-lo toda a vida, enquanto tiver um cérebro que funcione, e falando de Angola e Moçambique, foram espaços em que me senti completamente realizada. A Educação, representada pela Escola, apresenta-se-nos aí com toda a sua importância. O que se faz são milagres, muitas vezes improvisados (quase sempre, para ser mais franca). Mas os milagres não resolvem problemas de fundo. Aliás, milagres é coisa que não me seduz por aí além, e estou muito bem acompanhada: Jesus não gostava nada que lhe pedissem milagres...
Bem,´Angola e Moçambique têm uma imensa população infantil e juvenil. A maior parte sedenta de aprender. Não me vale de nada dizer que Angola é muito rica. Não é o dinheiro que prepara Professores, é o Tempo e bons Mestres. Há uma grande carência de professores bem preparados, sim, mas também de manuais escolares adequados à realidade local. Até o vocabulário deve ser bem estudado. Porque para aprender, nos primeiros anos, e especialmente no interior, serve qualquer árvore que proteja do sol...
Não é por tudo isto, contudo, que alguma vez deixarei de me interessar pelo que se passa na Escola em Portugal. Sou, nesse campo, bastante crítica sempre que não se faz o possível. E não me estou a referir só aos professores: na Quinta-feira, em Lamego, ouvi uma conversa de rua entre duas mães. Relativamente jovens. E dizia uma delas: "A minha filha, coitadinha, lá foi hoje para o liceu! A primeira vez! Vinha assustadita, coitadinha! É muita coisa, muitos livros, muitos trabalhos! Deus queira que ela se dê bem!"
É claro que a coitadinha não se vai dar bem! Cada vez que não se apetecer trabalhar, basta arranjar uma carinha preocupada (à porta de casa), dizer que está cansada, que tem muito que estudar. E aquele mãe amantíssima irá a correr mandá-la sentar-se no sofá, levar-lhe o lanchinho num tabuleiro e dizer que descanse. Ora bolas! Estudar é algo que Pais e Professores (as minhas maiúsculas são sempre intencionais e significativas) devem estimular como uma tarefa que nos ajuda a crescer. Não é uma penitência, é uma oportunidade! Por cada menino mimado que acha que a Escola é uma chatice, há centenas, para não dizer milhares, de meninos para quem a Escola é um sonho, uma miragem.
Fico por aqui. Na próxima darei exemplos mais concretos. Porque gosto de chamar as coisas pelos nomes.

quinta-feira, setembro 18

Aplaudamos, pois!

Seria bom seguir-lhes o exemplo noutros domínios: via Rui Bebiano

quarta-feira, setembro 17

Tempo de boas-vindas...

É com prazer que anuncio mais uma jovem presença no Aragem: a Carmo Cruz (a Avó Pirueta). Professora aposentada do 9º grupo (secundário, Inglês - Alemão), é uma maravilha de determinação, de cultura, de amor ao próximo, de dedicação, de sabedoria. Conheci a Carmo, talvez há dez anos, quando ela trabalhava na Escola Secundária Filipa de Vilhena e organizava na Areal eventos diversos ligados à formação de professores. Aposentada, rumou a África (primeiro Moçambique e depois Angola, de onde, creio, é natural) onde semeou muito de si. 

É uma mulher do mundo e da humanidade. Creio que ficamos todos numa óptima companhia. Sê bem-vinda, Professora Carmo. Farás este espaço melhor. 

Cabe-me a honra de apresentar...

... mais um elemento da confraria.
É o meu amigo e colega Joaquim Lopes, mais conhecido no ciberespaço por Herr Macintosh ou simplesmente Jakim.
Dos melhores professores que conheço. Meu mestre em tecnologias desde sempre: tenho de lhe agradecer este vício terrível em que acabei presa, embora eu já tivesse uma tendência (ele apurou-a e assim me condenou a esta escravidão :). Só não conseguiu converter-me aos Macs... (Fomos colegas na Luísa Todi por muito mais que dez anos... partilhámos anos de projectos... Nónio, Ciência Viva, Laboratório multimédia e outros desvarios).
Crítico, cáustico, com um sentido de humor especial, pareceu-me que seria uma boa sugestão para enriquecer a nossa confraria.
Ah! Gosta muito de Matemática... está ligado às TIC - sendo coordenador, professor, formador (e dormindo muitas vezes na escola), ... mas é professor de História e Língua Portuguesa... especialmente do 2º C.... embora este ano esteja a tomar conta de sétimos... Comprador compulsivo de livros (eu e ele competimos frequentemente e recebo dele dicas fantásticas... fica a Amazon a ganhar... e a minha mente também...).
Especialista em multimédia e e-learning... ele que diga o resto.
(Cora com facilidade... já deve estar corado agora com tanto elogio)

Bem-vindo Joaquim!

terça-feira, setembro 16

...como as cerejas

...são as conversas e os pensamentos. O excerto deixado pelo JMA lembrou-me este outro sobre a aprendizagem da democracia na escola:

"De que modo organizar então uma socialização democrática? Tentando organizar a escola como uma cidade democrática" (...) Todos sabemos que, partindo do facto de que não se sabe ler, é a ler que se aprende a ler. O método resulta porque estes 'primeiros passos' (é assim que se aprende a andar!) são acompanhados por um adulto que, a fim de que a acção seja possível, guia e compensa as lacunas provisórias de quem aprende e retira-se à medida que a sua assitência se torna supérflua. A aprendizagem da democracia pelas crianças e adolescentes só pode ser encarada assim."
Philippe Perrenoud, 2002, A escola e a aprendizagem da democracia, Porto, Ed. ASA, p. 46

segunda-feira, setembro 15

A Maternagem...

Por amável sugestão da IC, aqui retomo a parte final de um texto que amo (há muito tempo) e que coloquei no terrear:

"(...)
A terceira prática é a maternagem. Quando a criança aprende a andar, a mãe não discorre nem demonstra; ela não ensina a marcha, não a representa (não se põe a andar diante da criança): apoia, encoraja, chama (recua e chama): incita e protege: a criança pede a mãe e a mãe deseja a marcha da criança."

Roland Barthes

As palavras que (não) salvam...

(...)
Un grupo de ranas caminaba a saltos por el bosque. De pronto, dos de ellas cayeron en un hoyo profundo. El resto de las ranas se reunió alrededor del pozo. Cuando vieron cuán hondo era, les dijeron gritando a las dos compañeras que se dieran por muertas, que ni se les ocurriera tratar de salir.
Las dos ranas no hicieron caso a los gritos de sus amigas y siguieron intentando con todas sus fuerzas salir fuera del hoyo. Las que estaban fuera insistían en que los esfuerzos serían inútiles.
De pronto, una de ellas creyó que era preferible hacer caso a los consejos de las compañeras: ¿qué sentido tenía seguir saltando?, ¿para qué ese esfuerzo estéril? Tarde o temprano el desenlace fatal se iba a producir. En definitiva, que se rindió, se desplomó y murió. La otra rana no se daba por vencida y continuaba saltando tan fuerte como le era posible: “¿por qué no voy a salir?, ¿por qué no lo voy a intentar una y otra vez? Puede ser que no lo logre, pero yo lo voy a seguir en el empeño”, se decía.
El resto del grupo, al ver lo sucedido con la rana muerta, le gritó a la otra que abandonara aquel martirio inútil y que simplemente se dispusiera a morir, ya que no tenía sentido seguir luchando. Pero la rana, en un esfuerzo supremo, saltó una vez más y logró salir del hoyo. Y afuera la felicitaron:
- Nos alegra que hayas logrado salir, a pesar de lo que te gritábamos.
La rana no daba señales de entender nada de lo que le decían. Las otras, entonces, le hicieron gestos para que explicase lo que sucedía. La rana les explicó entonces que era sorda y que, aunque no había podido escuchar lo que le decían, había pensado que la estaban animando a esforzarse más y más para poder salir. Y que por ello les daba las gracias. Sus gritos de aliento la habían salvado
La rana se salva porque interpreta las voces como gritos de aliento, como impulsos para la superación. La animan, la motivan, la hacen saltar. Y, en definitiva, la salvan. Tiene la rana no sólo una respuesta coherente con lo que cree que le dicen. Además, tiene la magnífica actitud de interpretar de forma positiva aquellas voces que se dirigen a ella de forma inhibidora y destructiva. Es esa una actitud mejor que su contraria: la actitud de convertir en estímulos negativos lo que el otro plantea como impulsos para la superación.
(a partir de MSG)

sexta-feira, setembro 12

É uma boa notícia: O Aragem não definhou!

Agora, como lembrou a IC, basta que cada um assuma o Aragem como “nosso” – portanto como seu! “[...] faz todo o sentido o Aragem continuar (Henrique)”, faz todo o sentido fazer do Aragem “O espaço de todos os que aqui passam (Matilde).

Sim, “porque há aqui laços... e o Aragem é uma forma de os manter (3za)”. “O fio condutor já existe: EDUCAÇÃO e CIDADANIA (com algum humor pelo meio que também faz falta) (13za), “ “leveza, alternatividade, poesia, música, videos, filmes; e registo de boas (e menos boas) práticas... (JMA). “Mas sempre uma ARagem mesmo... leve, fresca, descansada... (Ana)”.

É verdade que “Algumas regras básicas organizacionais poderão ajudar (um cronograma flexível de 'editoração', temas para debate..., sei lá... (JMA)”. E se deixarmos que todas as propostas já experimentadas sejam relançadas sempre que a iniciativa de cada confrade o ditar? Se concordarem esta seria a regra. Portanto, cada um estabeleceria a regra num período de tempo restrito.

Porque me cabe estabelecer a primeira(?) regra, é tempo de reabrirmos a porta do Aragem a novos confrades. Há sugestões?

quarta-feira, setembro 10

Tudo Acontece por Bem (?)

"O extraordinário contador de contos e íntimo amigo Paco Abril falou-me uma vez de um rei que tinha uma interminável corte de assessores. Um deles distinguia-se porque, depois de cada acontecimento, apostolava de forma inexorável: "Tudo acontece por bem". Um dia, o rei partiu um braço. Os assessores pensaram que essa seria a ocasião propícia para que o companheiro optimista perdesse os favores do monarca. De facto, quando o rei se encontrou com o seu assessor predilecto, este perguntou-lhe:

- Majestade, que aconteceu?

- Uma queda desafortunada provocou-me a fractura do braço e tenho umas dores horríveis.

- Tudo acontece por bem, Majestade, disse o assessor.

Essas palavras provocaram a ira do rei, que o encerrou imediatamente nas masmorras do palácio. Alguns dias mais tarde, o rei saiu de passeio a cavalo. Perdeu-se. Caiu em mãos de uma tribo de antropófagos. Decidiram condená-lo à morte e comê-lo. Quando estavam prontos para o sacrificar, o feiticeiro da tribo disse:

- Não podemos comer o rei. O seu braço não está bom. Se o fizermos, podemos morrer.

O rei foi libertado. Graças à rotura do braço, salvou a sua vida. Regressou ao palácio e dirigiu-se, sem perder tempo, à cela do assessor prisioneiro. Contou-lhe o que tinha sucedido.

- Tens que me perdoar. Tinhas razão. O braço ferido salvou-me a vida. Mas para ti não foi negativo, uma vez que foste preso. Sinto muito. És livre outra vez.

- Também para mim foi positivo. Porque se não tivesse estado na prisão, teria saído de passeio a acompanhar, como sempre, sua Majestade. Os membros da tribo, ao ver que o meu braço estava bom, ter-me-iam comido."


(a partir de MSGuerra)

sábado, setembro 6

Conversa secreta

Eva: Tenho um problema.

Deus: Qual é o problema, Eva?

Eva: Sei que me criaste. Que me deste este belo jardim, todos estes animais maravilhosos e esta serpente com que me farto de rir... Mas não sou feliz. Estou sozinha, aborrecida, farta de comer maçãs...

Deus: Bem, Eva, não te preocupes, tenho uma solução para o teu problema de solidão. Vou criar um homem para ti.

Eva: O que é um homem?

Deus: O homem será uma criatura imperfeita, com grande capacidade para armar intrigas e mentir. Será exímio em enganar e muito orgulhoso. Digamos que te irá criar alguns problemas. Mas será mais forte e mais rápido do que tu, de modo que te poderá proteger fisicamente. Gostará de caçar e de matar animais, terá um aspecto primitivo e uma mentalidade simples. Não será muito inteligente. Distinguir-se-á na execução de criancices, como dedicar-se a dar pontapés numa bola. Mas como te queixas de solidão, irei criá-lo de modo a satisfazer as tuas necessidades físicas. Uma coisa é certa, necessitará sempre do teu conselho para agir correctamente.

Eva: Estou a gostar de ouvir, disse Eva, enquanto levantava o sobrolho com ironia. Mas, que terei eu de dar em troca?

Deus: Como te dizia, o homem será arrogante, vaidoso e muito narcisista... Deste modo, terás de lhe dar a entender que o criei a ele em primeiro lugar. E lembra-te que será este o nosso segredo. De mulher para mulher.

(Fonte: MASG)

Blogue brilhante

A Teresa e a Isabel nomearam o Aragem. Há aqui um erro, um vício na nomeação, porque as duas fazem parte da confraria. E quem é que se importa? Pelo que percebi das regras [eu disse regras?] do concurso [presumo que serão ainda menos viciadas do que foram as regras do concurso para titular], há que nomear sete blogues brilhantes.


Sugiro que deixemos de fora dos holofotes os blogues pessoais dos elementos da confraria. Cada um dos confrades deverá entrar no modo de edição desta entrada e acrescentar um blogue que no seu entender mereça o título. Simples? Fecharei a entrada depois das vossas votações.

Quem é @ primeir@ a nomear e quem merece a nomeação?

3za - Piruetas de Avó ...

JMA - participo para dizer que não sei... (a hipótese da 3za, era a única que me ocorria...). Mas digamos que também não vou muito à confraria dos prémios...

IC - Como já fiz a minha lista no meu cantinho, estava a deixar as nomeações para outros confrades. Mas, como tardam, sugiro uma, não sem antes dizer que o meu conhecimento da blogosfera é muito circunscrito e que ligo pouco ao título "brilhante" (nem tudo o que brilha é ouro, diz a sabedoria popular). Porque conheci há pouco tempo o blogue da Fátima André e gostei, tendo-o juntado às minhas visitas frequentes, aqui o acrescento: Revisitar a Educação

tsiwari : sem qualquer hesitação - anterozóide - pelo sorriso que consegue pôr-me nos lábios, post após post.

Miguel: Entre as intermitências dos confrades mais... errantes ;) deixo uma ponta para um blogue que nunca me deixa indiferente. A Lucília Nunes é uma professora [de outro nível de ensino] que gosta de conversar com subtileza. Coisa rara neste tempo. O blogue é o Conversamos?!

quarta-feira, setembro 3

Que futuro para o nosso Aragem?

Caros confrades,
Com a presente entrada convoco-vos para um debate sobre o futuro do Aragem. A vossa opinião e os olhares sobre o assunto podem ser lançados aqui, no próprio Aragem, em canal aberto. Se preferirem manter a discussão em canal fechado, não há qualquer problema, basta um email.

Permitam-me eleger uma razão epidérmica, como eu gosto de a designar assim, para mantermos este cantinho: sinto que há uma grande empatia entre os confrades, naturalmente essa proximidade é variável entre elementos da equipa. Há outras razões, obviamente. Mas não quero centrar a conversa naquilo que penso sobre o assunto.

Passo-vos a palavra...

terça-feira, setembro 2

ALPORTUCHE


ALPORTUCHE

É um espaço renascido e renovado que pretende colaborar na preservação do Parque Marinho da Arrábida, de forma particular, mas procurando envolver o maior número possível de pessoas.
Aqui fica a divulgação e uma chamada de atenção.

segunda-feira, setembro 1

... e já voltamos ao costume!!!

[Dedicado à IC]

Ainda nem conheço a maior parte dos colegas. Muitos novos a chegar, de expectativas numa mão e receios noutra.

E já tenho os entusiastas notórios e os derrotados à nascença.

Quem sabe disto são os Deolinda. Ora ouçam e vejam lá se não reconhecem a realidade de muitos locais de trabalho (escolas incluídas)...


... e preparemo-nos para isto.


Acabaram as férias...

Não se esqueçam de vir assinar o livro de ponto! ;o)

Entretanto, deixo uma canção...
[Não me ocorre outra, mas a voz do Zeca nunca é demais... Talvez o Tsiwari queira ajudar com outra canção de "arranque"...? ;) ]