sexta-feira, fevereiro 29
Manifestação a 8
quarta-feira, fevereiro 27
terça-feira, fevereiro 26
?
“Quanto a este nosso espaço - Bjork sussurra : it's all so quiet, shhhhshhhhh shhhhhh” (TsiWari)A nossa atenção está, de facto, mais... mais "umbiguista"(?) do que seria desejável. E por falar em umbigos, tenho pensado muito sobre a situação actual, sobre o "pós-lurdismo" e a possibilidade de manutenção das políticas educativas. Tenho andado entretido lá no meu casulo, lançando os meus olhares sobre uma pequena face da realidade que me rodeia. Regresso a este espaço de partilha para vos dar conta da minha apreensão sobre o nosso futuro colectivo e o modo como devemos preparar esse devir.
Estou convencido de que esta ministra não terminará a legislatura, desde que os professores persistam na luta. Beemmm, admitamos que a ministra chegará ao fim da legislatura: quero crer que será inevitável a renovação na pasta da educação. Sócrates, com ou sem maioria, não se atreverá a romper o actual ECD: manter-se-á a divisão da carreira; o sistema de avaliação, talvez um pouco mais refinado; a mesma sobrecarga de trabalho...
A confirmar-se o cenário “mais do mesmo”, como transformar a actual e intensa onda de colaboração artificial numa cultura de colaboração mais genuína, em cada escola situada?
A vil arte da não resposta
Muito já foi dito/escrito. Só três pikenapontamentos e um desabafo:
1 - Fico com aquela sensação de ter sido defraudado, mais uma vez, por não haver respostas a perguntas concretas. Lembro-me, por exemplo, da do tal papel sem timbre nem assinatura - referido repetidamente...
2 - A senhora que adora os professores e os acha tããããoooooo competentes trai-se ao afirmar que era muito mais fácil nada fazer e, nessa altura, eles não se incomodariam. Hein?? Onde fica a competência dos professores, afinal?
3 - A Fernanda Velez, frontal, formosa e segura. Foi pena a politização... desnecessária, do meu ponto de vista.
a) Quanto a este nosso espaço - Bjork sussurra : it's all so quiet, shhhhshhhhh shhhhhh
;(
terça-feira, fevereiro 19
Premiar o mérito ou premiar a superação das dificuldades?
A ministra da educação disse, no fórum da TSF, que a avaliação do desempenho docente tem como principal objectivo premiar o mérito. Para a ministra, a essência da avaliação é o reforço da função selectiva. Há que comparar os desempenhos dos docentes em relação a uma norma que foi definida externamente. Há que saber que lugar ocupa o professor no grupo de docentes. Foi esta a lógica que prevaleceu no primeiro concurso de professores titulares e será agora generalizada com o modelo de avaliação de desempenho em curso. Como é que foi apurado o mérito dos titulares? Reduzindo o conceito de mérito a um conjunto de experiências ligadas à vida nas escolas. Não existiu aí nenhum indicador de excelência o que prova a iniquidade do processo. Adiante...Esta função exclusiva da avaliação não permite aferir a regularidade do esforço, a motivação do docente e a evolução do processo de superação das dificuldades. A função formativa da avaliação é relegada para um plano residual.
Paradoxalmente, esta ideologia meritocrática da ministra é defendida apenas para o desempenho do trabalho docente. Ela é proibitiva [e bem] quando está em jogo a avaliação do desempenho do trabalho dos alunos; é ignorada [e mal] no desempenho de responsáveis por cargos dirigentes nas estruturas intermédias e superiores do sistema escolar.
A defesa da avaliação formativa do desempenho docente tem sido muito débil. Por pudor, os professores aceitam tacitamente a tese meritocrática. Recusar a meritocracia poderia ser entendido como o reconhecimento de improficiência. A defesa de um sistema de avaliação eminentemente inclusivo e formativo poderia ser entendido como um sinal de fraqueza e a confirmação de que “quem deve teme”. No palco mediático onde se joga a demagogia, o professor foi obrigado a aceitar como uma fatalidade a avaliação normativa. Não foi capaz de rebater uma retórica oficial que explorou as fraquezas de uma classe dividida e fragilizada face à degradação das condições de trabalho e à fraca auto-estima.
É preciso recuperar os argumentos que coloquem a avaliação formativa no centro do debate. É preciso desmitificar a meritocracia e os discursos de performance.
:o)
árvore. Pouco depois chegou um jornalista e perguntou a um alentejano
que estava por ali com uma pá na mão:
- O Sr. viu o que se passou?
- Vi sim senhor. O autocarro com os políticos espetou-se no chaparro.
- E onde estão os políticos?
- Enterrei-os.
- Mas não estava nenhum vivo?
- Alguns diziam que sim, mas o Sr. sabe como são os políticos...
domingo, fevereiro 17
tchim tchim...
Parabéns, Miguel! Muitas felicidades!
Um brinde ao nosso confrade-mor :o). E estou certa de que ele gostará que brindemos também à causa que nos juntou nesta Aragem, causa que é a mesma pela qual um dia escolhemos a profissão de Professor - a Educação e o Futuro de todas as crianças do nosso país. E estendamos o brinde aos muitos e muitos que continuam a pugnar por essa grande causa.
(Desculpem... Não pretendi fazer nenhum discurso, foi só um pensamento espontâneo e muito sincero)
domingo, fevereiro 10
Afinal...
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... o rei vai nu! [Pintura de Vavrova]
Há palavras (assim sensatas, verdadeiras, justas, ...) que me chegam com a força de uma peça musical magistralmente interpretada.
Como este Blues for 2 de Zoot Sims & Joe Pass:
sábado, fevereiro 9
Só para dizer...
sexta-feira, fevereiro 8
De quando em vez, a justiça faz jus ao nome

O Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa admitiu liminarmenete uma providência cautelar para adiamento da avaliação do desempenho dos professores interposta no início de Fevereiro.
Um dia feliz e sensato.
quinta-feira, fevereiro 7
O novo estatuto do aluno

(Vendo melhor... figura recolhida na net)
A Lei n.º 3/2008, de 18 de Janeiro, só por si, seria suficiente para acabar de vez com a tranquilidade da vida duma qualquer escola, tais são as suas implicações.
Algumas são de minúcia...
Mas outras coisa há, lá escritas, que são tudo menos de minúcia. Refiro-me no que em tudo concerne aos efeitos das faltas dos alunos.
Efeitos das faltas
1 — Verificada a existência de faltas dos alunos, a escola pode promover a aplicação da medida ou medidas correctivas previstas no artigo 26.º que se mostrem adequadas, considerando igualmente o que estiver contemplado no regulamento interno."
b) A ordem de saída da sala de aula, e demais locais onde se desenvolva o trabalho escolar;
c) A realização de tarefas e actividades de integração escolar, podendo, para esse efeito, ser aumentado o período de permanência obrigatória, diária ou semanal, do aluno na escola;
d) O condicionamento no acesso a certos espaços escolares, ou na utilização de certos materiais e equipamentos, sem prejuízo dos que se encontrem afectos a actividades lectivas.
e) A mudança de turma."
- Já avaliaram as implicações do novo estatuto do aluno nos cursos CEF e Profissionais?
-Ah! Isso não se aplica a esses alunos. Os cursos CEF e Profissionais têm regulamentos próprios...
Âmbito de aplicação
1 — O Estatuto aplica-se aos alunos dos ensinos básico e secundário da educação escolar, incluindo as suas modalidades especiais."
terça-feira, fevereiro 5
:)
Um homem caminhava pela praia de Cascais e tropeçou numa velha lâmpada.
Pegou nela, esfregou-a e... um génio saltou lá de dentro, que disse:
- O.K! Libertaste-me da lâmpada, blá, blá, blá! Esquece aquela história dos
3 desejos! Tens direito a 1 desejo apenas e ponto final!
O homem disse:
-Eu sempre quis ir à Ilha da Madeira , mas tenho um medo enorme de voar...
e no mar costumo ficar enjoado. Podes construir uma ponte até à Madeira, para eu poder ir de carro?
O génio riu muito:
- Impossível. Pensa na logística do assunto. Como é que os pilares chegavam ao fundo do Oceano Atlântico? Pensa em quanto betão armado, em quanto aço, em quanta mão de obra... Não, de maneira nenhuma! Pensa noutro desejo...
O homem compreendeu e tentou pensar num desejo realmente possível.
-Fui casado e divorciado 4 vezes. As minhas mulheres disseram sempre que eu não me importava com elas e que era um insensível. Então, é meu desejo compreender as mulheres; saber como se sentem por dentro e o que estão a pensar quando não falam connosco; saber porque estão a chorar... Saber realmente o que querem quando não dizem nada... saber como fazê-las realmente felizes!
O génio respondeu:
-Queres a porcaria da ponte com três ou quatro faixas?
domingo, fevereiro 3
Ai dos putos que se atrevam a não votar

(acta de eleição número 12 - algures da net)
quarta-feira, janeiro 30
Mahatma Gandhi

Precisamos de tempo para dar forma às nossas convicções, para depois as podermos defender contra todas as adversidades.
sábado, janeiro 26
Uma Vitória de Pirro?
Retomo uma crónica que escrevi no Correio da Educação em Dezembro de 2006, quando o ECD tinha acabado de ser aprovado em CM (e iria ser publicado em Janeiro de 2007). Agora, na semana de todos os inimagináveis delírios, retomo a tese, retiro a interrogação e declaro que é uma Vitório de Pirro.
No ano de 279-AC, o rei Pirro, reuniu os seus oficiais no campo de batalha de Asculum, perto de Roma, para saudar a vitória das suas tropas gregas contra o poderoso exército romano. Diante das enormes perdas de oficiais e soldados, porém, ele constatou que "com mais uma vitória como esta" o seu reino estaria perdido. Daí o termo "vitória de Pirro", que expressa o conceito de uma conquista que é o início do fim.
Agora que as negociações a propósito do ECD estão praticamente no fim importa talvez fazer o exercício do day after. As práticas de ensino vão ser mais bem planeadas, executadas e avaliadas? Os professores vão ser profissionais genuinamente mais implicados, vão estudar mais, vão saber mais? Os resultados dos alunos vão ser melhores? Os ambientes escolares vão ser mais estimulantes e cooperativos? A imagem social da profissão vai melhorar?
Difíceis as respostas. Ou até talvez impossíveis. Ensaiemos, no entanto, o cenário provável. A profissão docente é uma actividade predominantemente intelectual que requer a liberdade de pensar e agir. Por mais autoritária e violenta que seja a ordem não consegue impor as acções concretas que os professores devem realizar. Não basta que ordem seja legal. É preciso que seja legitimada por um número significativo de destinatários. Por isso, a primeira condição de mudança e melhoria educativa tem de se sustentar no querer e na aceitação individual e na adesão voluntária. Uma outra dimensão essencial tem a ver com a acção educativa cooperante. Os problemas que hoje se colocam só podem ser superados no contexto de uma cooperação entre os professores, e entre estes e as famílias (quando elas existem, claro). E a questão que se pode colocar é a de saber para onde está a ser forçado a evoluir o clima escolar.
Há ainda outros parâmetros essenciais: como vão ser os dispositivos de formação contínua? Limitados e centralizados (para desresponsabilizar os professores e estes terem sempre o recurso do bode expiatório)? Como vai ser distribuído o poder de decisão? Como vão evoluir os contratos de autonomia? Será que as escolas e os professores os vão querer? Em troca de quê? Ou, se muitos os não quiserem, vão ser impostos (numa denegação da própria ideia de contrato)? Quais os ânimos e as disposições face a condições de trabalho muito mais adversas?
Já no longínquo tempo autoritário do Estado Novo (1945), António Pires Lima (um dos delfins do regime) sabia que a um professor nada se pode ordenar concretamente sobre o exercício das suas funções. Nenhum director-geral pode dizer a um professor que ensine desta ou daquela maneira e que a forma como se exerce o ensino transcende a feição burocrática dos serviços públicos.
Esperemos ainda que a vitória seja a dos nossos alunos. E para isso não é pensável desprezar e dispensar os professores. A pedra angular do desenvolvimento do país.
(Correio da Educação, nº 273)
