sábado, setembro 8

Dos Resultados esperados dos alunos

Um dos sete itens de avaliação a realizar pela direcção executiva tem a ver com o "Progresso dos resultados escolares esperados para os alunos" (alínea c, nº 1, artº 17). É suposto que esse progresso esperado seja definido por quem, como, quando? No Projecto Educativo não pode ser; no Projecto Curricular de Turma, talvez. Mas como se vai concretizar isso, considerando as complexas variáveis? E quando falamos de resultados é bom ter a sensatez de pensar e explicitar que eles não se reduzem à instrução e que têm de chegar à socialização, e à estimulação.

Será bom que não sejamos nós a reforçar a ideologia de uma escola cuja missão central parece ser a de fazer salsichas.

À nossa Isabel...

Na Antena 1, no programa Janela Indiscreta de Pedro Rolo Duarte, o destaque de hoje foi para o blogue da nossa querida Isabel, Memórias Soltas de Prof.

Ouçam... Enjoy!


Get this widget | Share | Track details

sexta-feira, setembro 7

A Ficção do envolvimento

Mas não é só a colaboração artificial! É também a colaboração simulada (para não dizer envenenada!). Se havia um grave problema de trabalho individualista gerado pela lógica organizadora do sistema escolar (porque a solução dos problemas supõe a inteligência colectiva), o novo ECD vai agravá-lo (embora proclame como objectivo a promoção do trabalho cooperativo - ingénua ficção) porque a lógica dominante é a da competição (que pode até ser injusta).
Avanço com uma nova ficção: reza o nº 2 do artº 11º: "constitui dever do avaliado proceder à respectiva auto-avaliação como garantia do envolvimento activo e responsabilização no processo avaliativo..."; e o nº 2 do artº 15º estipula: "a auto-avaliação tem como objectivo envolver o avaliado no processo de avaliação de modo a ...".
Ora sobre isto duas notas: o envolvimento não se decreta (não sabem isto os legisladores?); o objectivo da auto-autovaliação não pode ser o envolvimento, mas sim a participação no processo de análise de um percurso para que possa aprender com ele. O envolvimento é do domínio das emoções e dos afectos. E seria estranho que o Decreto regulamentar quisesse agora regulamentar estes domínios.
Quem está a redigir estes documentos (juristas, com certeza) não sabe o que está a fazer...

De aragens, ventinhos que sopram e ventanias

Ufa! Cheguei! Logo hoje que me assalta uma petite dor de cabeça, faço tenções de postar qualquer coisa lá no Aragem. Lá? Aqui!
Tarefa muito difícil. Mesmo! Como honrar a magnífica fileira de colegas e amigos que me lançam este desafio? Só mesmo uma atrevida como eu.

Estou, estamos, prestes a começar um novo ano lectivo. E pela primeira vez na vida não me sinto nada preparada. Nada de documentos bem arrumados. Dossiê finório. Listas de alunos. Planificações arrumadas. Até o "Sítio" está cheio de teias de aranha e pó. Duas turmas cheias de oitavo, uma de CEF (tenho 200 e tal páginas de Programa para arquivar), o jornal para pensar. E soube hoje que ainda é esperado que coordene a actualização da homepage, a do CRE e... bem. Isso já sei: link da home para o Cre e no Cre abro um espacinho para os pdf's que publicarei do "Pinheirinho". Ontem foi dia de tentar ligar para ME e Sind. para perceber ao certo quantas horas - lectivas e não lectivas - terei que ter estando a amamentar.
E a tese... 2 caps. para terminar até Outubro e revisões concluídas até Dezembro.
Vêm convites e pedidos de formação da outra margem e há coisas em que já estou a pensar para fazer com os miúdos para comemorar esse grande Torga.
Amanhã é o Baptizado do puto.

Será por isto que me dói a cabeça?

Oooopssss ..... esta aragem sopra do lado errado.
Meninos, esta sou eu. Vou escrever isto para outro lado e agora penso. Terei coragem para dizer o que realmente penso sobre Educação aqui?! Para alguns me lerem?! Ui!

Mas ele, grande Torga, escreveu:


Nasci subversivo.
A começar por mim - meu principal motivo
de insatisfação.

e isso é que interessa!

Colaboração artificial...

A avaliação dos docentes corre o risco de reforçar a colaboração artificial. Os professores colaborarão uns com os outros não voluntária mas compulsivamente: na planificação em conjunto e nas solicitações de apoio em diversas actividades escolares. Como consequência verificar-se-á a inflexibilidade e a ineficiência. Hargreaves considera que “A inflexibilidade da colegialidade artificial faz com que os programas não se ajustem aos objectivos e às características práticas dos cenários escolares e das salas de aula específicas. Esmaga o profissionalismo dos professores e o juízo discricionário que o compõe e desvia administrativamente os seus esforços e energias para uma aquiescência simulada para com as exigências administrativas inflexíveis e inadequadas aos locais em que trabalham.”

Do Endofinalismo da avaliação

Prosseguindo o inventário dos riscos (da avaliação dos docentes) : o endofinalismo. Enuncia-se no discurso legal e sabe-se por evidência empírica que a avaliação não é um fim em si mesma. É um meio para a) conhecer compreender e melhorar, b) para controlar, c) para certificar, d) para promover... Se a parafernália avaliativa for excessiva, irrealista e opressiva corre-se o risco de transformar um meio num fim (num típico processo burocrático de inversão).

Avaliação e handicap

Continuando a prosseguir o desafio da Idalina (sobre a regulamentação da avaliação dos professores): anoto agora a obsessão da avaliação servir, sobretudo, para identificar as falhas, os handicaps, as insuficiências nos desempenhos dos professores. Esta visão é tributária de uma filosofia pessimista e punitiva que usa a avaliação para pôr a nú os aspectos negativos, esquecendo de valorizar e celebrar os aspectos positivos. Ora, como se sabe, o reconhecimento e o elogio justos são poderosos instrumentos de implicação, gestão de compromissos e de mudança positiva.

quinta-feira, setembro 6

Nova aragem…

Tenho um bom motivo para atropelar a entrada do JMatias.
A Teresa Pombo fará parte, a partir de hoje, da nossa robusta, flexível e ágil equipa. Bem-vinda, Teresa.

PS: ufffa… Creio que conseguimos juntar no Aragem todas as Teresas da blogosfera… é bem feito! ;))

A obsessão da medida e o risco do empobrecimento

Uma das obsessões (há outras...) que percorre o novo ECD tem a ver com a medição do cumprimento dos objectivos (vide artº 8º do projecto de Decreto Regulamentar da Avaliação dos Professores). Esta hiper-subordinação da acção individual aos objectivos pré-estabelecidos conjugados com os indicadores de medida é tributária de uma ilusão cientifista e tecnocrática e vai inevitavelmente empobrecer as práticas educativas e as aprendizagens dos alunos. Porque o que não puder ser previamente objectivado e medido (ou for de difícil concretização) tenderá a ser abandonado. Se olharmos com atenção encontraremos muitos exemplos do que afirmo. Práticas de extraordinário valor educativo que serão sacrificadas no altar destas tristes ilusões.

quarta-feira, setembro 5

PADD: Objectivos individuais...

Estava eu a debulhar na diagonal a coisa... e já depois de uns sorrisos por conta das promessas introdutórias de dignificação, progressão na carreira, melhorias e tal, e mais os indicadores definidos no Agrupamento (isto agora é que vai ser! Havemos de debulhar isto também...), quando dou com o artigo 9º.
Ora se sendo proposta, mas realmente não sendo porque já é quase quase a valer desde agora, fiquei com a sensação de que acrescentei uma tarefa à já longa lista neste arranque de ano lectivo. Percebi bem o que lá vem? Arrancando agora o período de dois anos para a nossa avaliação, temos ou não de redigir desde já o doc referido neste artigo com os nossos objectivos individuais - primeiro proposta nossa mas depois "burilados" num "acordo" de cavalheiros com os avaliadores.... ? (Valendo sempre mais a opinião dos avaliadores se não se chegar a acordo na fixação dos ditos.)
E, se sim, alguém consegue descortinar o que dizer em alguns parâmetros?
(Se não atingirmos as utopias acordadas... seremos castigados.......(?) Será que devemos sonhar rasteirinho? Ambicionar pouco? Ou no acordo querem que a gente vá mais alto para depois cair melhor fora da cota? Hoje que o período de avaliação começa, e p'ra que comece bem, vou fazer uns objectivos, p'rá'nha escola e avaliadores também. Prometo solenemente, o abandono diminuir, acorrento-os às mesas, não me vá alguém fugir... sim sim já tinha poemado umas promessas na teia, mas apeteceu-me outra vez, o que querem?).
Bem, agora a brincar, desculpem, agora a sério: o que considerariam colocar nos vossos objectivos individuais? E o que poderemos esperar desse "acordo" misterioso a estabelecer com os avaliadores?
E eu sem tempo...
(Mas ele há coisas que, lá está, me dão assim diz que é uma espécie de comichão...)

terça-feira, setembro 4

Só para dizer

Só para dizer que me sinto bem aqui. E saudar os 'confrades'.

Novo confrade…

O José Matias Alves, do Terrear, fará com que a brisa do norte sopre com outra intensidade ;)
Bem-vindo!
PS: Sugiro que delapidem o texto da Idalina. Encontra-se já a seguir.

Mmm...

Novidades?
Novidades!
NOVIDADES!!!

segunda-feira, setembro 3

O que já é, embora estando para ser

Temos já em mãos o documento de trabalho que servirá de base à regulamentação do novo sistema da avaliação de desempenho dos docentes.O documento ainda não foi aprovado em Conselho de Ministros, mas já está publicado no sítio do Ministério da Educação e aplica-se já ao desempenho a partir de 1 de Setembro, sendo de prever que não venha a ser sujeito a grandes alterações.
Passando ao largo da metodologia da publicação, deparamo-nos com um documento que levanta, naturalmente um conjunto de interrogações e suscita outras tantas interjeições. A verdade é que não podemos ficar-nos pela pontuação. Temos de arregaçar mangas e começar a "debulhar" o normativo.
Eu proponho que comecemos a fazê-lo aqui, em conjunto. Estão de acordo? Talvez a nossa Isabel Campeão pudesse fazer o papel de comentadora das percepções pessoais que aqui vamos registando...